Viver quando alguém parte

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A morte é, apenas um fenômeno existencial, factível a todo e qualquer ser vivo enquanto não se particulariza, na direção de um ente concreto, de uma família concreta, principalmente quando o ente é humano. Nesse exato momento, quando a morte bate à porta de um ente querido ela se transforma num fato de grande repercussão.

Somente quando a morte deixa de ser uma generalidade impessoal e, entra no Mistério da vida e, no cotidiano de uma pessoa real, com nome, identidade, endereço, vínculos, afinidades, família, história… é ai que ela se torna real; é ai que ela comunica toda a sua verdade; é ai que o ser humano se revela.

A morte de um ente querido é um acontecimento avassalador porque, mexe nos sentimentos, nas emoções, nos afetos, na história e no sentido da vida diante da perda e da ausência para sempre.

Porque toca a mais profunda sensibilidade humana, a morte é uma dor de poucos remédios; uma separação de raro consolo; uma perda de difícil reparo; um acontecimento sem explicação convincente.

Mas, a morte não é um abismo intransponível. A morte não é o fim de tudo.

As reações imediatas à morte, quase sempre, carregadas de um exagero instintivo, são plenamente compreensíveis porque humanas. Mas, é preciso transcender, ir além, dar um salto, buscar um sentido.

A vida está envolvida num grande Mistério e, a morte também. Por isso, é preciso dar tempo ao tempo porque, aconteceram quebras, sofrimentos, dores, rupturas inesperadas e imprevistas.

Aliás, esse tempo de rupturas abruptas requer um outro tempo de ajustamento:

– na maneira de encarar a si mesmo, superando os sentimentos de perda, culpa, remorso, impotência… frente à morte que, chegou e levou a pessoa querida;

– na resposta de fé que transita entre a dúvida da existência de Deus, conformismo da morte como trágico destino humano, sensação de que se está tendo, apenas, um horrível pesadelo e, a esperança de vida eterna;

– na necessidade de continuar a viver e, apesar da dor, administrar a vida que permanece repleta exigências, desafios, tensões, conflitos e esperanças.

Afirmações de fé, sempre, conduzem ao respeito humano, ao sentido da vida e à esperança da vida eterna. Ter fé, não é um luxo narcisista porque, não é mordaça, nem freio, nem rédea e, nem tão pouco, uma máscara. Ter fé é se permitir à luz em meio às trevas; é se permitir a Deus.

Ainda faz eco as palavras de Jesus que disse: “Eu sou a ressurreição e a vida.  Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá.  E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre” (Jo 11,25).

 

ORAÇÃO QUANDO SE PERDE ALGUÉM

Senhor, o sofrimento nos lembra que a vida não é destinada a evitar a dor e, que, amar é aceitar o risco de sofrer. Ajudai-nos, Senhor, a crescer em meio a este sofrimento de perda, dai-nos paciência e tempo para encontrar a serenidade. Ensinai-nos, Senhor, a descobrir vossa presença nos acontecimentos que não conseguimos compreender. Colocai-nos em contato com as riquezas escondidas em nosso íntimo e guiai-nos, suavemente, para o amanhã, transformando nosso pesar em compaixão, nossas feridas em nova esperança para os outros. Senhor, que consigamos fazer do tempo um tesouro: para aceitar a morte, deixar partir, tomar decisões, compartilhar sofrimentos, acreditar novamente, perdoar, nos sentir bem conosco mesmo, conhecer novos amigos, sorrir e ajudar quem necessita. Senhor, ninguém pode anestesiar nossa dor, porque ninguém pode roubar nosso amor. Ensinai-nos a descobrir que o chamado da vida é amar novamente. Amém!

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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