Uma questão de protagonismo

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Todos nós estamos convencidos de que não há nada no mundo que não consigamos fazer; que não há nenhum desafio que não possamos superar; que não há nenhum problema que não saibamos resolver; que não há nenhum caminho que não possamos percorrer… Somos todos capazes!

Apesar de sabermos muito; de conhecermos muito; de termos muitas qualidades; de dominarmos técnicas avançadas e, até, complexas somos envolvidos por uma falta de iniciativa pessoal; por uma falta de protagonismo, somada a uma desconcertante letargia, um desinteresse, uma passividade e uma indiferença total.

Esperamos muito pelos outros: esperamos pela palavra dos outros porque achamos que os outros falam melhor; esperamos pela ideia dos outros porque pensamos que os outros são mais criativos; esperamos pela ação dos outros porque entendemos que os outros fazem melhor; esperamos pelo plano dos outros porque imaginamos que nossas estratégias são um fracasso! Tudo bobagem!

Ninguém é maior, nem mais capaz e nem melhor que ninguém. Cada um tem a estatura de sua história pessoal: seus contatos, suas lutas, suas dores, suas decepções, suas alegrias, suas tristezas, seus relacionamentos, enfim, suas experiências.

Quando alguém realiza alguma coisa e sente o prazer de estar fazendo algo por si mesmo, não está descobrindo suas qualidades, seu potencial, seus talentos que já são óbvios. O que está descobrindo, na verdade, é o protagonismo. Quer dizer: que pode fazer, pensar, criar, agir; está descobrindo que é sujeito.

Não há maior felicidade do que saber que podemos mais.  Não há nada mais gostoso do que ver os produtos de nossas próprias mãos. Não há nada mais edificante do que saber que somos importantes para as pessoas. Não há nada mais prazeroso do que saber que as pessoas gostaram daquilo que fizemos. Não há nada mais interessante do que saber que somos “atores” e não meros expectadores da vida.

Olhamos para os jovens do nosso tempo e, constatamos, com tristeza, uma juventude sendo massificada, asnificada, cooptada e engolida pela falta de sentido.

Diz o papa Francisco na exortação apostólica Alegria do Evangelho: “O processo de secularização tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo. Além disso, com a negação de toda a transcendência, produziu-se uma crescente deformação ética, um enfraquecimento do sentido do pecado pessoal e social e um aumento progressivo do relativismo; e tudo isso provoca uma desorientação generalizada, especialmente na fase tão vulnerável às mudanças da adolescência e juventude” (EG, 64).

Apesar da massificação e de toda desorientação generalizada os jovens não estão mortos e, nem tão pouco, fora do contexto de grandes iniciativas e mudanças.

A Igreja acredita no Protagonismo juvenil. Os jovens são capazes: podem mais, sabem mais, têm vontade de agir, são criativos, estão repletos de força, mas, falta-lhes espaço de protagonismo. E protagonismo não é, simplesmente, cumprir tarefas, reproduzir esquemas. O protagonismo que os adultos esperam dos jovens é o de manutenção do “status quo”: que não incomoda, que não questiona, que não conflita, que não exige.

O protagonismo juvenil que acreditamos, que esperamos e, que, os jovens podem dar é aquele da ousadia, do novo, do sonho, da criatividade, da utopia… De tão desacreditada a juventude não milita um protagonismo de grandes consequências.

Deus acredita na juventude!

“Eu lhes escrevi, jovens, porque vocês são fortes, e a palavra de Deus permanece em vocês e vocês venceram o Maligno” (1Jo 2,14).

“Mas eu respondi: ‘Ah! Senhor Javé, eu não sei falar, porque sou jovem’.  Javé, porém, me disse: ‘não diga: sou jovem’, porque você irá àqueles a quem eu o mandar e anunciará aquilo que eu lhe ordenar” (Jr 1,6-7).

Então, vem! Juventude, é preciso acreditar!

 

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Imagem: Google

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