Um longo caminho a percorrer

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A experiência do caminho é algo extremamente forte na vida humana porque diz respeito não apenas sobre a realidade do caminho, mas, sobre a nossa condição de caminhantes. Não é à toa que temos duas pernas e dois pés.

Por um lado, considerando a caminhada como atividade física, que proporciona a locomoção, enxergamos um horizonte enorme dos espaços que podemos ter acesso,

Por outro lado, do ponto de vista existencial, a realidade do caminho na vida humana é bastante ampla, complexa e dinâmica porque sinaliza as relações interpessoais e põe a descoberto as diversas situações de atalhos, encruzilhadas, pedras de tropeço, pontes estreitas, buracos, distâncias, tempo, contratempo… e outros caminhantes.

Toda a nossa existência é marcada pelos passos que damos na vida.

Colocar-se a caminho não é uma simples questão de escolha, mas, de necessidade. Nós somos caminhantes. Caminhar é preciso! Disso ninguém pode se furtar. O que podemos, e isso é possível, é escolher qual o caminho. Isto sim!

No que diz respeito à escolha do caminho ou dos caminhos para a vida, não é uma tarefa muito fácil. Existe uma dificuldade objetiva em relação ao caminho, que as vezes parece ser o melhor e, na verdade, não é. E existe, também, uma dificuldade objetiva em relação ao sujeito que caminha, que as vezes parece maduro na escolha do caminho e, na verdade, não está.

O melhor caminho só chega na vida das pessoas com o tempo!  Não adianta pressa. Não adianta, também, querer acertar na primeira escolha. O tempo nos experimenta enquanto experimentamos o caminho.  Assim é que amadurecemos para a vida.

Não existe caminho pronto!

Na vida o caminho não é uma realidade físico-geográfica é existencial. Portanto, o  caminho é feito por quem caminha. O caminho se faz caminhando! O caminho do outro não serve para você e, nem tão pouco, o seu serve para o outro. O caminho pertence ao caminhante, mesmo quando caminhamos com os outros.

Na fé cristã, Jesus se autonomeia “o caminho, a verdade e a vida” como PONTO DE PARTIDA e “ir ao Pai” é o PONTO DE CHEGADA.

Somos chamados a fazer a experiência do Caminho.

Caminhar, na perspectiva cristã, é tornar-se um outro Cristo; fazer-se caminho enquanto caminha; encarnar na própria vida os atos de Jesus; viver segundo o Espírito de Deus; ter os mesmos sentimentos de Jesus Cristo .  “Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: Ele tinha a condição divina, mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso, Deus o exaltou grandemente, e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no céu, na terra e sob a terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2,5-11).

Embora chamados à experiência do Caminho, as vezes, caminhamos à esmo, às cegas. Noutras circunstâncias, abatidos pela fadiga ou pelo medo entramos em Crise de Orientação e não damos mais passos necessários.

Caminhar desinstala e gera crises, mas, somente voltando ao Ponto de Partida e recuperando as forças com um Bom Alimento é que se Retoma o sentido Original do Caminho no qual se quer caminhar.

Nossa vida, vocação, missão, passos, iniciativas, relacionamentos, religião…  será sempre infantil, ingênua e superficial quanto mais estivermos fechados às situações de crise. Só amadurecemos, em meio às inevitáveis crises, quando, dispostos pela fé, nos abrirmos à escuta e ao diálogo.

O caminho é longo, superior às nossas forças, mas, caminhar é preciso. Nós somos caminhantes. (cf. 1Rs 19,1-18)

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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