TENHAM CUIDADO COM QUALQUER TIPO DE GANÂNCIA

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Se fossemos colocados diante da seguinte interrogação: ‘Como é a nossa relação conosco mesmos, com os outros, com as coisas, com o mundo e com Deus?’ Quais serão os princípios, medidas e valores que referenciam nossas relações? Que peso damos para isso, em nossa existência? Que lugar elegemos para essa preocupação? Como é que estamos vivendo, concretamente, este chamado?

A primeira vista estamos diante de um abismo colossal, em termos de relação interpessoal e planetária. Será que chegamos ao grande abismo? Que nome esse abismo tem: Apego desmedido? Exacerbação materialista? Compensação imediatista? Hedonismo? Individualismo crônico? Inversão de valores?

Temos que assumir uma dura e cruel realidade: nossas relações estão desplanetizada e desplanetizante; desumana e desumanizante. Chegamos ao ponto limite da insensatez total. Assim desabafa o salmista: “O insensato diz no seu coração: ‘Deus não existe!’ Corromperam-se praticando abominações; não há quem pratique o bem. Do céu Javé se inclina sobre os filhos de Adão para ver se restou alguém sensato, alguém que busque a Deus. Estão todos desviados e obstinados também: não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14,1b-3).

O que fazer? Vamos eleger o pessimismo derrotista como explicação e método? Vamos cruzar os braços? Vamos, cada um, sair como arautos apocalíptico do fim do mundo? Não! Devemos ser portadores da Boa Nova de Cristo que, começa em cada um, e alcança o mundo. Comecemos com a mudança do eixo/paradigma que nos move.

Diz o Senhor: “Atenção: tenham cuidado com qualquer tipo de ganância!” (Lc 12,15). Estaria Jesus contra a possibilidade de alguém crescer e prosperar? Não. Crescer e prosperar pode, mas, não sob a força da ganância.

Afinal, quem não tem vontade de crescer, de melhorar de vida, de ganhar dinheiro, de ampliar o seu padrão, de comprar isso, fazer aquilo e alcançar aquilo outro?

Todos nós somos dotados de uma ambição natural. Queremos crescer, subir, avançar, conquistar… E não há nada de mal nisso! Aliás, mesmo sem a determinação de nossa vontade, do nascimento até a morte, nosso corpo experimenta graus e estágios de crescimento e amadurecimentos fantásticos. A vida é para o crescimento; para a expansão; para o algo mais; para o mais profundo; para o mais além. Nesse sentido, somos chamados a nos decidir por um crescimento que a natureza não alcança e não toma o lugar de nossa autodeterminação.

O caso, porém, é que não podemos nos decidir a crescer de qualquer maneira; de qualquer jeito; sem qualquer princípio. É preciso crescer, sim, mas com dignidade. Não há nada que justifique crescer sem o mínimo de respeito a si e aos outros. Aliás, justificativa é o que não nos falta! Temos uma para cada situação. Tudo para isentar culpa, diminuir o impacto da responsabilidade e o peso na consciência.

É legítimo crescer e prosperar mas, nenhum crescimento ou prosperidade deve estar desconectada do amor ao próximo. Se crescemos ou prosperamos, individualmente, e as pessoas (as coisas e o mundo) ao redor de nós vivem oprimidas e sufocadas pelas injustiças, pecados e omissões de todos (direta ou indiretamente), como poderemos viver em paz? Não podemos permitir a socialização da miséria ou a proliferação do sentimento de culpa; somos chamados à justiça social cristã.

Aqui, vale, portanto, a indicação Paulina sobre o Corpo-Místico-de-Cristo, que é a Igreja: “Todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo (…). Os membros do corpo que parecem os mais fracos são os mais necessários. Se um membro sofre, todos os membros participam do seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros participam de sua alegria” (1Cor 12,13.22.26)

A nossa resposta à questão da mudança do eixo/paradigma não estaria completa se o amor ao próximo não indicasse uma verdadeira conversão social e pessoal. Por isso, além das mudanças fundamentais em relação a ‘todos os outros’ à nossa volta, precisamos de mudanças profundas em relação a nós mesmos.

Não podemos sustentar nenhum tipo de crescimento humano na plataforma de qualquer tipo de ganância porque ganância, de qualquer tipo, é cega e nos torna cegos.

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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