Sermão do Encontro proferido por Dom Marcos Tavoni

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Queridos irmãos e irmãs aqui presentes, devotos e devotas do Bom Jesus dos Passos e de Maria, Mãe das Dores e Senhora da Vitória. Meus caros ouvintes, telespectadores e internautas que nos acompanham, também devotamente, através dos meios de comunicação, sintam-se muito bem acolhidos, nesta tarde, junto ao coração do nosso Deus, junto ao coração da Igreja.

Meu estimado e querido irmão no episcopado Dom Edilson Soares Nobre, obrigado pelo convite de estar aqui e de me conceder a honra da palavra, neste grandioso evento e manifestação de fé do povo de Oeiras, que reúne gente de todo nosso Estado do Piauí e de várias partes desse nosso imenso Brasil, redundando em graças para toda Igreja. Gratidão, meu irmão, pela amizade e confiança!

Irmãos, encontro significa convergência, dirigir-se para um mesmo ponto. Sim! Cada um de nós, saímos de um canto de nossas vidas, da agitação do dia a dia e nos colocamos a caminho. A caminho do encontro do Senhor dos Passos e de sua Mãe querida.

A festividade que estamos participando tem por finalidade nos preparar, introduzir na Semana Santa que se aproxima e nos ajudar a melhor vivenciar os Mistérios que nos trouxeram a Salvação.

Seguir os passos de Jesus nesta caminhada que partiu da Catedral em direção a este átrio, significou para cada um colocar os passos nas pegadas de Jesus.

Com certeza, a cada passo trocado nos veio a mente muitos pensamentos que junto de nossas orações viemos apresentando a Jesus e Maria.

A mim, particularmente, venho, desde que sai de casa, nesta manhã, percorrendo quase 500 km, trazendo no coração a imagem dos passos de Jesus e contando meus passos sobre os Dele.

Meus primeiros passos de reflexão, e creio que o de todos nós, ao sair de casa e ao chegar até aqui, foram de gratidão. Gratidão ao Deus da Vida. Gratidão por estarmos vivos. Gratidão pelo fim da peste, das doenças e tristezas que nos sobrevieram com a Pandemia do Covid-19.

Mistura de tristeza e de alegria.

Tristeza por quantos que prematuramente partiram e que infelizmente não estão mais conosco. Se melhor cuidados e atendidos – e não muitas vezes negligenciados – quantos idosos ainda não poderiam estar conosco, com passos lentos mais ainda ao nosso lado?

Nos passos de Jesus, homem das dores; coloquemos estas nossas muitas pegadas de dores que trazemos de nossas famílias e do seio da sociedade, machucada, ferida, desolada.

Mas para além das amarguras da vida e dos pecados dos homens, depositamos nos passos marcados por Jesus, nossa esperança na vida, que se renova com seu perdão, com a doação de sua vida, suas dores, morte e ressurreição.

Estamos aqui irmãos, frente a estas imagens que retratam para nós talvez o momento mais angustiante da história. Momento em que Jesus e Maria entrevem seus olhares, olhares de dor e de compaixão.

Imaginemos irmãos a compulsão de Maria, seu coração está desfalecido. Ela que desde a noite da última ceia, não tinha mais notícias do seu Jesus. Os guardas o levaram. Todos fugiram. Maria ficou só e talvez rodeando, por ali, o Palácio de Herodes e de Pilatos. Quanta tortura na mente e no coração em pensar no seu Filho: “O que fizeram do meu Jesus? Meu Filho, meu amado!”

Nas ruas da Cidade e em meio a multidão, conduzida pelo Apóstolo Amado, João; Maria é conduzida entre a multidão espreitando entre as pessoas e vielas, para ver se o encontra; e algo, na sua impotência, consiga fazer pelo seu amado filho.

Quanta angústia, quanta dor!

Nestes passos de Maria queremos refletir e associar a dor de tantos pais. Quantos não sofrem com humildade e humilhação as precárias condições para alimentar e cuidar dos seus filhos; quanto outros já idosos e na idade de descanso, sofrem por cuidar dos filhos dos seus filhos e filhas que se tornam netos órfãos de pais vivos, forçados a migrar, arriscar a sorte em outros cantos, por não encontrar trabalho e condições de vida digna ondem nasceram.

Quanta angústia não sentiu Maria pelo distanciamento e falta de notícias de seu Jesus. Só podia imaginar, sofria.

Quanta angústia no coração de Mãe e de Pai pela distância dos filhos e pela impotência e carência de não se poder, absolutamente, fazer nada.

Lembro-me sempre, com muita dor, de uma experiência vivida no Interior da Diocese de Bom Jesus, no pequeno Munícipio de Sebastião Barros, próximo a Corrente. Isso logo no meu primeiro ano como bispo. Cheguei para celebrar Crismas e estava já na porta da Igreja para iniciar a celebração, já havia começado o comentário inicial, quando uma senhora veio ao meu encontro, apoiada por outras pessoas; me abraçou e em prantos dizia: “Dom Marcos, Dom Marcos. Meu filho! Meu filho! Ele foi trabalhar em Brasília, ele foi trabalhar e está voltando dentro de um caixão, me ajuda Dom Marcos, me ajuda!…”

Meus irmãos e irmãs! Confesso a vocês. Como foi difícil iniciar e dar conta daquela Missa, quanta tristeza invadiu meu coração de Pastor. Que mistura de tristeza, indignação e sentimento de impotência nessa hora.

Como consolar o coração de uma mãe que sofre a perda de um filho prematuro, jovem, saudável, cheio de sonhos para o futuro; ceifado pela violência?

Maria escuta falar, ouve os rumores, apressa os passos, espreita, o procura e nada! Quanta angústia! A tortura e escárnio que Jesus vai sofrendo distante, Maria o sente no coração, na mente e na alma.

Nesses passos redentores de Jesus e de Maria queremos depositar os sofrimentos desses tantos pais e filhos. Depositar nossa esperança de Ressurreição e de vida nova; ganhar forças para seguir em frente, na certeza de que a vida do Justo está nas mãos de Deus.

Mas a noite de Maria será longa e não chegará ao fim, senão, ao meio dia, quando “se fez trevas sobre toda a terra”.

Quanta humilhação de Jesus, quanta humilhação de Maria!

Jesus ensanguentado e torturado carregava sua Cruz.

Todos, desde o nosso batismo, fomos marcados pelo sinal da cruz. No rito da celebração do Batizado o primeiro sinal que faz o celebrante é este: “Eu te assinalo com o sinal da Cruz que é o sinal de Cristo Jesus”. Foi o mesmo Jesus que em seus ensinamentos indicou: “quem quer vir após mim renuncie a si mesmo tome sua cruz e me siga, pois quem quiser ganhar a sua vida neste mundo a perderá, mas quem perder a sua vida por causa de mim a encontrará.”.

Sim! Cada um de nós tem suas cruzes, tem seus sofrimentos, mas nenhuma cruz compara-se a Cruz de Jesus. Ela, como diz o antigo hino de adoração: “sustentou o mundo inteiro”.

Indescritíveis a dor e o peso da cruz do Senhor!

O Profeta Isaías, profetizando, vai descrever as dores de Jesus, como o Servo Sofredor e dizer: “Não havia nele aparência, não havia nele beleza alguma que atraísse. Homem sofredor, chagado. Tão desfigurado estava, que diante dele viravam-lhe o rosto, tão insuportável ficou sua aparência”

Aquela multidão raivosa, cheia de ódio, perversão e maldades, despejou sua fúria e violência sobre Jesus. Jesus, por sua vez, não lhes resistiu, recebeu os bofetões, golpes, chicotadas, os escarros no rosto.

Com seu silêncio e forças, Jesus seguiu carregando a sua Cruz.

São nestes passos lentos e pesados, neste rastro de suor e de sangue que também nós caminhamos. São muitas as vítimas inocentes dos pecados dos homens. Quantos indefesos e vulneráveis sofrem no silêncio, ou calados por outros. O mundo apesar de tanta tecnologia e especialistas, convive, ainda hoje, com situações de escravidão, tráfico de seres humanos, inferiorização da mulher, discriminações de raça, cor, gênero e outros tipos de injustiça que geram exclusão social. O mundo segue e se aperfeiçoa na maldade e os seus crimes vão adquirindo outros nomes como feminicídio, homofobia e outros.

Somos convidados, nestas lentas, pesadas e profundas pegadas de Jesus, depositar nossa esperança de Ressurreição. Por elas fomos perdoados e salvos.

Reconhecendo o amor de Jesus por nós, pela humanidade, também nós, queremos corresponder ao seu plano de amor, e participar da sua vida de doação pela salvação do mundo.

Simão, o Cirineu, nos ajuda a meditar. Passando pelo caminho foi obrigado a ajudar Jesus a carregar a Cruz.

Eis, irmãos e irmãs, que este caminhante foi identificado como sendo um homem forte, robusto, com capacidade de suportar a cruz e ajudar Jesus. Assim, também nós, dotados, capacitados por Deus com os talentos por ele confiados, somos chamados a multiplicar os nossos dons, alimentar as virtudes e colaborar, com Cristo, no plano da salvação. Somos chamados a nos identificar, a nos descobrir, buscar nossa missão, sair do anonimato, da tão famosa “zona de conforto” em que muitas vezes nos colocamos e nos fechamos.

O Cirineu que carrega a Cruz de Jesus, nos sirva de exemplo na luta contra o comodismo. Não podemos passar ao lado dos projetos de Deus, assistir de longe.

Não podemos ser mais um na multidão. Não podemos ser católicos de ir à Igreja uma vez por ano. Precisamos ser católicos de Missa Dominical. Manifestar nossa fé na Comunidade Cristã e vivenciar os Sacramentos da Iniciação Cristã: nosso Batismo, Confirmação e Eucaristia.

Passada a pandemia somos chamados a ser igreja deste Cristo, Igreja de fé!

De que vale seguir o Senhor dos Passos se não estivermos dispostos a carregar a sua Cruz?

É preciso ser cristãos autênticos. É preciso ser verdadeiramente Igreja, Igreja em saída, viver e estar em permanente estado de missão.

Irmãos e irmãs. Somos romeiros, peregrinos, devotos do Senhor Bom Jesus dos Passos. Estamos reunidos para caminhar, como já o dissemos, sobre suas pegadas.

Eis que, como a Virgem Maria, mãe amada e aflita, caminhamos também nós pelas ruas desta nossa centenária Cidade, mais uma vez procurando cruzar nosso olhar, com os olhares do Cristo sofredor e da Virgem dolorosa.

Eis que fomos convergidos por Deus para esse momento. Momento em que Mãe e Filho se fitam mutuamente. Um segundo de olhar. Um filme em um segundo. Uma história de amor e compaixão num fleche de olhar.

Quanta dor no coração de Maria. Quanta dor no coração de Jesus, que além das dores externas que sentia, percebe e sente a dor do coração de sua mãe ao vê-lo sofrer.

Maria é o nosso exemplo maior de seguidora de Cristo. Se quisermos ser cristãos temos que entender o papel da Mãe do Senhor no contexto da salvação.

À semelhança de Cristo novo Adão. Maria é, agora, para nós Cristão nova Eva. Mulher do Gênesis, Mulher dos Evangelhos, Mulher do Apocalipse. Maria é Imagem do Cristão e da Igreja.

Eis que na troca de olhar da Mãe e de seu Filho, quanta emoção e mistura de sentimentos, e com certeza muita tentação, surge aí um imenso combate na fé.

Hoje também, tenho certeza irmãos, de nesta caminhada, nas trocas de seus passos, na sua reflexão de vida, no seu olhar pra Jesus e Maria, quanto combate, quantas tentações.

Maria vê o seu Jesus, aquele bebê que ela trouxe no ventre, aquele menino lindo de face rosada de carregou no colo, aquele seu garotinho que segurou pela mão para não cair quando ele deu seus primeiros inseguros e frágeis passos; aquele seu Jesus que amentou, alimentou, cuidou, vestiu com todo carinho; aquele seu filho que ensinou a escrever, educou na fé, acompanhou na missão; que viu seu primeiro milagre e tantas boas obras realizar. O que teria feito ele para merecer, agora, tudo isso? Quanta ingratidão, quanta incompreensão, quanta injustiça recai sobre ele.

Maria acostumada a “observar tudo e guardar no seu coração” com certeza chega ao máximo de sua exaustão. Que batalha monumental para mãe do Senhor. Seu coração quase se arrebenta de dor e suas lágrimas, nesta hora, regaram a terra clamando misericórdia para os homens.

O inimigo vencido por Jesus, em suas tentações no deserto voltou, agora no momento oportuno, na hora da sede, da dor, na hora da Cruz!

Voltou nas palavras de Pilatos: “Então tu és Rei?”; dos soldados que lhe davam vinagre como bebida: “Se és o rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo!”; do Ladrão revoltado, crucificado à sua esquerda: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”.

O inimigo com certeza se apresentou a Maria, o inimigo tentou Maria como a Eva no paraíso. A Eva foi lhe apresentado um belo fruto que continha escondido o veneno da morte. A Maria foi apresentado um fruto amargo que nos traria um doce remédio, a vida. Aquela primeira Eva com seu consentimento negou os planos de Deus. Maria, nova Eva, com seu sim permitiu ser serva, e serva sofredora até o fim, colaborando no planos de Deus e salvação dos homens.

Eis irmãos e irmãs que o inimigo também nos ronda constantemente e diz que não pode haver um Deus assim: que permita tamanho sofrimento. Eis a pergunta que nos coloca em cheque. Como pode existir tantos sofrimentos no mundo? Eis que o inimigo também diante das dificuldades do dia a dia, dos sofrimentos que não encontramos resposta, nos interroga e tenta: “Onde está teu Deus?” É trabalho constante do inimigo nos convencer de que Deus não ama. Ele é enganador desde o princípio. É o pai da mentira. Disse a Eva que se ela comesse do fruto e desse ao seu marido os dois seriam como Deuses, pois não seria possível um Deus que ama e criou um paraíso, impor limites a alguém. Mas Deus avisou, não coma! Se comerem da árvore, o dia em que comerem morrerão! Deus deu uma lei para que tivessem a vida! Mas eles tocaram na árvore, comeram o fruto, conheceram o que era “o bem e o mal”, descobriram que estavam nus, experimentaram o medo, foram se esconder, a morte passou a dominar sobre eles.

Deus então desce ao paraíso, irmãos, vai ao encontro do homem escondido e amedrontado. “Onde estás? Acaso comeste do fruto da árvore que te proibi?” Responde o homem: “a mulher que me deste comeu e me deu de comer”. O homem é incapaz de assumir a sua culpa. Começa a se ‘desculpar’ a jogar a culpa no outro: “foi a mulher” e em última instância: “que tu me deste”, portanto a culpa é tua. No final Adão põe a culpa em Deus, dos seus próprios erros.

Eis irmãos o trabalho do inimigo, nos convencer de que Deus não ama, pois se amasse tudo seria diferente. Nenhum mal te aconteceria, sua vida seria diferente, sua história, seus pais, seu passado; seu corpo; teria muito dinheiro; não sofreria tanto etc..

Mas eis que Deus fez uma promessa ao expulsar a serpente do paraíso: “porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe feriras o calcanhar”

Esta promessa se cumpriu, irmãos e irmãs! Maria é essa Mulher que esmaga a cabeça da serpente. Ela em sua humildade destrói a soberba do inimigo. Com seu sim traz ao mundo o Salvador! Ela é bendita entre todas as mulheres e bendito é Jesus; Bendito fruto do seu ventre! Ele é a descendência da Mulher, nós somos a descendência dos que Nele, pela fé, acreditamos.

Irmãos e irmãs! Maria e Jesus se fitam mutuamente. Olhar de Mãe e Filho que se conhecem se amam e sabem que tudo que acontece é por amor.

Deus nos ama irmãos. Jesus te ama!  Deus não abandonou seu Filho e não nos abandona jamais!

Na Cruz Jesus, no auge do seu sofrimento, momentos antes de entregar seu espírito vai dizer: “Deus, Deus, por que me abandonastes?”. Não é esquecido pelo Pai. Não! De maneira alguma! Jesus nesse momento, Jesus na cruz experimentou todo o nosso sofrimento. Experimentou o abandono, a distância, o vazio, o abismo que causa em nós o pecado.

Deus não nos abandona nunca! Ele nos converge aqui neste início de noite. Ele te trouxe aqui, meu irmão e minha irmã, para que você pudesse ouvir: “Deus te ama”. Não leva em conta os teus pecados, morreu por você! Nos diz o apóstolo João: “Deus tanto amou o mundo que nos deu seu Filho único” Que prova de amor maior que esta? São Paulo vai dizer que “por um amigo é capaz que alguém se interesse a morrer e dar a vida”, um filho um parente; mas “Cristo deu a vida por nós quando ainda éramos pecadores”. Disse ele na Cruz, “Pai perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.

Maria é modelo de que entende a missão de Jesus, com ele é solidária; e da humanidade, com ele, se compadece. Ela se levanta e vai estar, com Ele, em pé, junto à Cruz!

Maria sofre com seu Filho amado, acompanha seu flagelo, segue suas pegadas, faz o caminho do Calvário. Ninguém estava lá. Todos fugiram, o medo do sofrimento e da morte espantou a todos. Jesus ficou só! Somente Maria e o Discípulo Amado permaneceram. Permanecem aí, como um sinal, para nos indicar como acolher Jesus, acolhendo Maria como nossa própria mãe!

Eis as Palavras de Jesus a Maria: “Mulher eis o teu filho” e ao Discípulo Amado “Eis a tua mãe” e diz o Evangelho “a partir desse momento o Discípulo a acolheu em sua casa”. Ou seja, Jesus desejou que todos como discípulos seus o conhecêssemos como o conheceu Maria. Acolher Maria em casa significa trazê-la para o coração, acolhê-la como modelo, meio para se chegar a ele e ao Pai mais facilmente.

Maria vai acompanhar seu amadíssimo Filho até o seu último suspiro: “Pai em tuas mãos entrego o meu espírito”.

Não bastasse essa cena de horror, Maria vai escutar os ossos das pernas dos ladrões, crucificados ao lado de seu Filho, serem quebradas. Com toda certeza ela desfalece. Então contempla que ao seu amado transpassam uma espada. Diz o Evangelho: “imediatamente do seu lado aberto jorrou sangue e água.

Que mistério de dor e de amor. São Bernardo, vai comentar sobre este fato: “Jesus já estava morto. Seu espírito já não estava mais ali. A espada então transpassou a alma de Maria”. Sim irmãos, em Maria cumpriu-se a profecia do Velho Simeão: “Esse menino será Luz para as nações, causa de contradição para muitos. Quanto a ti, uma espada a transpassará”. Eis que Maria vê cumprir-se em seu Filho amado tudo que lhe fora anunciado e profetizado.

Eis irmãos, que assim como do lado aberto de Adão surgiu Eva; do lado aberto de Cristo, novo Adão, surge uma nova Eva. É figura do nascimento da Igreja, Esposa de Cristo.

Sangue e água são sinais do nosso Batismo. No sangue de Cristo fomos purificados dos nossos pecados. Pelo batismo, sacramentalmente, somos mergulhados na morte com Cristo, para com ele Ressurgir para uma vida nova.

Irmãos e Irmãs!

Jesus é deposto da Cruz e entregue nos braços de sua Mãe.

Não é possível avaliar o que se passou nesse momento. Aquela que carregou Jesus como um menino, agora o tem de volta em seu colo. Quanta dor! Que mistério de Amor! Enfim o Senhor novamente descansa nos braços de Maria.

Queridos irmãos e irmãs, refletimos, meditamos e rezamos, juntos, sobre os mistérios de nossa Salvação que de forma sacramental iremos vivenciar nesta Semana Santa, em especial no Tríduo Pascal. E na noite santa da Páscoa renovar o nosso Batismo.

É importante participarmos do momento da paixão, refletir com profundidade no Mistério da Redenção. Mas é ainda mais importante lembrar, vale recordar, que a Morte de Jesus só teve pleno sentido com a sua Ressurreição.

É importante participarmos da Paixão do Senhor, mas não podemos faltar à Páscoa da Ressurreição!

Esta é a prova de que Deus nunca abandonou seu Filho. Ele o ressuscitou da Morte. Jesus foi a Cruz por você e por mim. Os passos de Maria são para nós o modelo do seguimento do Senhor, mas a história de Maria e seu amado Filho não para na Cruz e no túmulo, ela vai além!

A Morte não tem a última palavra e sim a Vida! Jesus é vencedor do pecado e do medo da morte. A sua ressurreição é, portanto, a certeza da nossa Vitória! E com razão cantaremos com a Igreja na sexta-feira: “Vitória tu reinarás, Ó Cruz tu nos salvarás!”

Maria com Cristo é vitoriosa! Por isso a invocamos Senhora da Vitória!

Ela é modelo dos devotos do Senhor dos Passos, da Cruz a Ressurreição! Com Ele, passamos da vida a morte, do pecado a vida da graça.

Que nesta oportunidade que nos dá o Senhor de voltarmos a seguir seus passos abençoando nossa Cidade e nossas famílias, desejemos dar passos na fé. Vamos nos encorajar uns aos outros à vida de fé, de Comunidade Cristã, vida de Igreja. Esse deve ser nosso compromisso e missão, com o Senhor e com Maria.

Quero terminar estas minhas palavras, agradecendo a Deus pela oportunidade de também estará aqui. De conhecer esta centenária tradição que somadas as outras fazem de nosso Piauí o Estado mais religioso do país.

Dom Marcos Tavoni vem do extremo sul do Estado, vem do fértil vale do Gurguéia, dos grandes cultivos nas planícies das Serras do Bom Jesus, dos Cânions do Viana, dos Poços Jorrantes. Vem das Terras que tem como Co-Padroeira, também Nossa Senhora, aqui ela é da Vitória; no nosso meio, é das Mercês.

Temos entre nossas Dioceses, de Oeiras e do Gurguéia, dois belos pontos comuns que nos unem na fé: nossos padroeiros. Nossa Co-Padroeira é Nossa Senhora e nosso Padroeiro principal é o Bom Jesus.

Aqui, na Diocese de Oeiras, Bom Jesus dos Passos. Na Diocese de Bom Jesus, o Bom Jesus da Boa Sentença.

Nosso Padroeiro tem origem nesta mesma festa que hoje, aqui, celebramos. Nasce da tradição do Sermão das Sete Palavras de Jesus na Cruz.

A devoção ao Bom Jesus da Boa Sentença, surge então, quando Jesus responde ao ladrão da sua direita, que arrependido exclamava: “Senhor lembra-te de mim quando estiveres no seu reino”. Jesus vai então sentenciar-lhe: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!” Eis a sentença de misericórdia do Senhor, eis aí, o bondoso juiz,  o Bom Jesus da Boa Sentença!

Quero agradecer a Dom Edilson Soares, Pastor desta Igreja e grande amigo de caminhada, e ao Padre Possidônio seu colaborador e Cura da Catedral pelo honroso convite e acolhida, e a vocês pela penitência da piedosa paciência em ouvir.

Que Nossa Senhora, das Vitórias e das Mercês, nos conduza nos passos da salvação. Que o Bom Jesus, dos Passos e da Boa Sentença, nos leve a viver mais santamente os Mistérios Pascais e nos conceda a graça, de um dia, enfim, participarmos, com Ele, de sua misericórdia, no Paraíso!

Feliz Semana Santa!

Deus abençoe a todos!

Oeiras – Piauí – 8 de abril de 2022

 

Dom Marcos Antonio Tavoni

Bispo da Diocese de Bom Jesus do Gurguéia

 

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