Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso”. (Lc 6,36)

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O ensinamento de Jesus narrado pelo evangelista Lucas foi dado no contexto do chamado para a vivência do amor, particularmente com aquelas pessoas que não apenas nos incomodam, mas que podem causar um mal maior aparentemente irreparável.
No início do Ano Santo da Misericórdia somos colocados diante do apelo feito por Jesus para que possamos sentir e compartilhar a misericórdia que é fonte de alegria, serenidade e paz (cf. Misericordiae Vultus). Somente quem faz a experiência do acolhimento misericordioso do Pai, pode viver a misericórdia consigo e com seus semelhantes.

Na Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o papa Francisco diz: “Desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós”.

A atual crise que a humanidade atravessa clama por misericórdia em todas as dimensões e os homens e mulheres de boa vontade têm o compromisso de leva-la às periferias existenciais, aliviando toda forma de dor e sofrimento, curando as feridas causadas pela injustiça, indiferença e exclusão que afetam especialmente os mais frágeis da humanidade.

A Sagrada Escritura é marcada pela constante manifestação da misericórdia de Deus para com o seu povo, apesar dos desvios de rota e infidelidade que muitas vezes acometem a caminhada rumo à libertação plena. Cada versículo do Salmo 136 (135) é intercalado com o refrão “eterna é a sua misericórdia”, numa clara demonstração que esta não tem limites, e se Deus é infinitamente misericordioso para com o seu povo, a mesma atitude deve ser assumida por cada membro da comunidade cristã nas relações com seus irmãos e irmãs de caminhada.

No evangelho de São Lucas encontramos no capítulo 15 as três parábolas dedicadas à misericórdia: ovelha extraviada (vv. 4-7), moeda perdida (vv. 8-10), pai com seus dois filhos (vv. 11-32). Nelas, encontramos o núcleo do Evangelho e da nossa fé, porque a misericórdia é apresentada como a força que tudo vence, enche o coração de amor e consola com o perdão.

É necessário mais do que nunca resgatar, atualizar e viver a temática da misericórdia relegada ao esquecimento durante muito tempo. No lugar de julgamentos e condenações, plantar as sementes da misericórdia e do perdão.

Trilhando os ensinamentos do papa Francisco na Bula de Proclamação, encontramos: “Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade”.
Afirma ainda o papa: “A misericórdia não é contrária à justiça, mas exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar”.

Quando tudo parece sombrio, sem esperança e sem ânimo para enfrentar as adversidades, rezemos com o salmista: “Lembra-te, Senhor, da tua misericórdia e do teu amor, pois eles existem desde sempre”. (Sl 25/24,6)

A justiça praticada com misericórdia gera amor.
Por José Rodrigues Neto

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