RETICÊNCIA…

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Segundo as regras gramaticais, reticência é um sinal de pontuação.  Grafado em três pontos, indica interrupção do pensamento ou omissão intencional duma coisa que se devia ou podia dizer.

Da gramática para a vida, nos relacionamentos interpessoais, o modo reticente de agir, em relação às pessoas ou às coisas, traz à baila um corolário de intenções que multiplicam o acobertamento da verdade e da realidade.  Pior ainda, deixa em suspenso o sentido e o alcance real do que deveria ser “isto” ou “aquilo”, dando margem para infindáveis idéias e interpretações particulares.

Diante da reticência, como foi dito, o que foi omitido pode sugerir muitas coisas.  Aí é que começa o drama.  Afinal, a imaginação humana tem leis próprias; pode levar ao mais alto grau de loucura ou idiotice, medos ou inseguranças, dúvidas ou hesitações, fantasias ou imaginações, obsessões ou apassivamento…

Parece haver um interesse deliberado em manter sob reticência as atitudes, os comportamentos e os discursos.  Aliás, a reticência faz parte do velho esquema de chantagem.  Uma verdadeira tortura que se justifica na manutenção do “status quo” da sociedade de poder, como é a nossa.    Um poder mesquinho e hipócrita que sobrevive da manipulação.

O peso disto tudo se assemelha ao de uma estratégia maquiavélica de manipulação através da pressão psicológica pelo medo: “o dito pelo não dito”.

A dominação tem como pressuposto o medo!

Pense comigo!  Analise os fatos de sua realidade mediata e imediata e veja como quase tudo está impregnado de reticência…

O INDIVÍDUO reticente…

O(a) filho(a) que não diz tudo ou diz a metade sobre as suas “ligações”, os(as) amigos(as) ou grupos);  (a) esposo(a) esposa que não mantêm clareza sobre os lugares de sua freqüência cotidiana; o(a) amigo(a) que nunca diz o que quer quando fala mal de alguém para você, quando pede emprestado, quando lhe conta um segredo, quando lhe quer como avalista…

A ECONOMIA reticente…

O FMI, a dívida externa e as dívidas sociais; os infindáveis planos econômicos; as alterações constantes nos preços de produtos e serviços; a inflação “estável” de nossa economia; os juros sobre crédito e débito: “dois pesos e duas medidas”; o salário e os encargos sociais; os impostos e suas aplicações reais…

A POLÍTICA reticente…

O favor, o clientelismo e a corrupção; a fidelidade partidária e os interesses pessoais; o Lobby político e o interesse comum; o carreirismo e o decoro parlamentar…

A SOCIEDADE reticente…

As chances e os direitos sociais; o Status social, o dinheiro e a justiça; o Exército de reserva, o trabalho e o desemprego; a ética e a saúde…

Muitas coisas não são ditas porque “não podem” ser ditas; porque “é bom” que não sejam ditas; porque “é necessário” que não sejam ditas.

É preciso usar a cabeça que Deus nos Deus para não se acomodar às reticências dos outros…

A indicação bíblica é a seguinte: “Vocês ouviram também o que foi dito aos antigos: ‘Não jure falso’, mas ‘cumpra os seus juramentos para com o Senhor’. Eu, porém, lhes digo: não jurem de modo algum: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o suporte onde ele apóia os pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. Não jure nem mesmo pela sua própria cabeça, porque você não pode fazer um só fio de cabelo ficar branco ou preto. Diga apenas ‘sim’, quando é ‘sim’; e ‘não’, quando é ‘não’. O que você disser além disso, vem do Maligno” (Mt 5,33-37).

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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