Ressurreição: Páscoa da totalidade!

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Quando falamos em páscoa devemos ter em mente, toda a história da Salvação, para não se tornar, em nossa mente, um acontecimento isolado de toda a obra e ação de Deus. A páscoa da Ressurreição é a Plenitude do Projeto Histórico de Salvação querido e realizado pelo nosso Deus.

A Páscoa era uma antiga festa dos pastores de ovelhas. Era uma festa pré-israelítica. Era celebrada na primavera, e era marcada pelo sacrifício de um animal novo, com um ritual de sangue, para obter a fecundidade dos rebanhos e ter a proteção dos animais, espantando os espíritos maus para longe dos rebanhos.

A Festa dos Ázimos era celebrada mais pelos agricultores e era celebrada por ocasião da primeira colheita. Assim se comiam os primeiros frutos da terra e se fazia o pão sem fermento para lembrar que tudo era novo e que não havia nada de velho, nem o fermento. O pão ázimo era também considerado símbolo de pureza.

Em Ex 12,1ss temos a celebração da Páscoa, mas é feita junto com a Festa dos Ázimos. Esta festa foi celebrada pelo povo de Deus antes da sua partida do Egito, rumo à Terra Prometida. Foi celebrada às pressas; cozinhando-se o suficiente para comer na noite da festa, sem deixar sobras. Devia-se comer de pé, com o cajado na mão, pois era a noite da partida da casa da escravidão.

O sangue do cordeiro a ser sacrificado devia-se manchar as portas das casas, pois este era um sinal que ali morava uma família dos hebreus. Naquela noite o Senhor estava para passar nas casas e estava para acontecer a décima praga contra o Faraó do Egito e seu povo (a morte dos primogênitos). Onde Deus encontrasse o sinal do sangue, Ele não entrava…. Ele pulava… passava.

Assim, a Páscoa foi sendo celebrada como a “Passagem” da terra da opressão (Egito) para a Terra Prometida (Palestina-Canaã-Israel). Passagem da escravidão para a libertação. Passagem de uma vida velha para uma nova vida. Outra tradição considerava também a Páscoa como a “passagem do mar” na marcha rumo à Terra Prometida (Ex 14). Depois que o povo já estava na terra, tornou-se uma festa obrigatória. Era comum a família celebrar a Páscoa e durava 7 dias.

Jesus era hebreu e também celebrou a Páscoa. O cristianismo deu a ela outro sentido. A Páscoa judaica preparou assim a Páscoa cristã: Cristo, Cordeiro de Deus, é imolado (a Cruz) e o pão e o vinho (a nova Ceia, se transformam em seu Corpo e Sangue), e como no quadro da Páscoa judaica, temos a Semana Santa. Na festa da Páscoa temos a instituição da Eucaristia. Jesus traz assim a salvação ao mundo, e para nós cristãos é a renovação de toda a mística que se celebrava na Páscoa judaica.

Cristo é a Páscoa definitiva que nos convida à nova vida (cf. 1Cor 5,9-10). Assim também Cristo faz sua passagem deste mundo. Vencendo o pecado, Jesus passa para o Pai, à sua Terra Prometida. O Evangelho de João procura mostrar esta ligação entre a última semana de Jesus e a celebração da Páscoa (Jo 11,55; 1212; 13,1; 18,28; 19,14.31.42).

Páscoa é, portanto, a passagem da morte para a Vida. É isso que a Ressurreição ensina: Jesus vence a morte. A morte não é o fim. Não tem a última palavra. Mas é Deus que ressuscita Jesus e vai nos ressuscitar também. Assim, a Páscoa se torna a “passagem” para a vida nova! É Jesus que nos fez passar da morte para a vida; das trevas para a Luz!

O sinal desta nova Páscoa passa a ser também o Batismo: passagem para uma vida nova. Poderíamos especular sobre as diversas “Páscoas” em toda a História da Salvação, já que se pode chegar a sete modos diversos de compreendê-la: 1. Páscoa na Criação: passagem do caos à ordem; do vazio à beleza da obra criada por Deus; 2. Páscoa como festa dos pastores: a proteção e a fecundidade dos rebanhos; 3. Páscoa da partida do Egito: naquela noite o Senhor passou e poupou a vida dos hebreus; 4. Páscoa na História de Israel: memória do que o Senhor fez com o povo; da saída do Egito; 5. Páscoa de Jesus: verdadeiro cordeiro e redentor da Humanidade decaída pelo pecado; 6. Páscoa no Batismo: o nascimento para a vida nova; 7. Páscoa e Ressurreição: passagem da morte para a vida; das trevas à luz; da guerra à paz; de todas as situações de opressão para a liberdade… (cf. Páscoa dos Judeus e dos Cristãos – Frei Ildo Perondi, OFM). 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

 

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