Reflexão de Dom Edilson Nobre sobre a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora e Festa de Nossa Senhora da Vitória

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Assunção de Nossa Senhora e Festa de Nossa Senhora da Vitória

Um sinal grandioso no céu: Maria

A primeira leitura da liturgia de hoje do Livro do Apocalipse (cap.11 e 12) é uma representação dramática da história humana para dizer-nos que a vida não é uma brincadeira, é algo extremamente sério. Como este reclamo é atual. Hoje, de fato, a vida é excessivamente banalizada. Só a fé em Deus poderá restituir valor e dignidade à vida.

“No céu aparece um sinal grandioso: uma mulher que gritava pelas dores do parto…” (Ap 12,1-2). Esta mulher é a imagem de todos aqueles que amam a vida, que sofrem pela vida, que defendem a vida, que crêem na vida porque crêem em Deus. São tantos que se empenham nesta luta, que trabalham para salvar a dignidade humana. Esta é a missão da Igreja e, nesta Igreja, Maria é o vértice, é a primeira a acreditar.

Mas esta mulher é ameaçada: “No céu aparece outro sinal: um grande dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu… O dragão parou diante da mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu filho, logo que nascesse” (Ap 12,3-4). Qual é o êxito desta luta? A fé nos diz que vencerá a vida, vencerá a bondade e a justiça, porque Deus mesmo está empenhado nesta luta.

Um sinal e uma primícia desta vitória se chama Maria de Nazaré, invocada por nós, nesta Diocese de Oeiras como Nossa Senhora da Vitória, festejada na data de hoje (15 de agosto). Pousemos o nosso olhar sobre ela, porque através de sua vida se ilumina também a nossa vida e a da Igreja.

Primeiro, destacamos o seu espírito de desinstalação e de serviço. Ela deixa a sua casa, percorre regiões montanhosas e vai ao encontro de Isabel, sua prima que está para dar à luz um filho. Que encontro extraordinário! Que explosão de alegria identificamos neste encontro da parte de Maria, de Isabel e da criança que estava em seu ventre. Como o mundo precisa destes sinais, de verdadeiros encontros que proporcionem alegria e transformem vidas. Estamos abertos para isto? A quem visitamos? Em que circunstâncias? Com que intenções ou pretensões? Os corações se abrem e proporcionam, de fato, o verdadeiro encontro? Será que Deus se alegra com os encontros que realizamos?

Sigamos o seu Magnificat: é uma oração revolucionária no confronto com as nossas orações piegas, opacas e desencarnadas. “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador” (Lc 1,46-47). Por que Maria louva o Senhor? Porque olhou para a humildade de sua serva! Maria não se sente exaltada pelo chamado de Deus. Ela é consciente da sua pequenez. Quanto equilíbrio e quanta virtude percebemos nesta jovem de Israel!

“Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes” (Lc 1,52). Como podia uma humilde jovem de Israel exprimir com tanta segurança semelhante juízo sobre a história humana? Como podia Maria prever e sentir a certeza do triunfo dos humildes, dos pequenos, dos pobres, dos justos? Pela fé! Somente pela fé! Maria é uma mulher de fé: não existe nela outro critério de juízo além da fé.

Maria crer em Deus e prever o futuro, mesmo se o presente parece tudo o contrário e tudo diverso. Por isso Maria é bendita entre todas as mulheres. E Jesus quis que fosse ela, a Mãe, a condividir primeiro a vida nova em plenitude. Por isso Maria subiu ao céu. A assunção de Maria torna-se para nós um convite a renovar a fé na vida eterna e a fé na fidelidade de Deus. Que o Senhor pleno de amor e de misericórdia nos ajude para que nunca nos falte a fé e que, a exemplo da Virgem Maria, a Senhora da Vitória, testemunhemos nossa adesão a Nosso Senhor Jesus Cristo com prontidão, constância e coragem. Assim como Nossa Senhora, com os pés firmes na estrada da Vida, possamos dizer: “Eis a escrava do Senhor! Faça-se em mim segundo a sua vontade!”

Mãe da Vitória e São José, compadecei-vos de vossos filhos!

 

Dom Edilson soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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