Reflexão de Dom Edilson Nobre por ocasião da Solenidade da Dedicação da Catedral de Oeiras

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ANIVERSÁRIO DA DEDICAÇÃO DA CATEDRAL DE OEIRAS

“Quem semeia pouco colherá também pouco”

 

Amados irmãos e irmãs! Estimados sacerdotes, diácono, religiosas, religiosos e animadores missionários das diversas pastorais, serviços e movimentos!

Aqui nos reunimos no adro da nossa Catedral, contemplando a beleza deste encontro que reúne centenas de fiéis. O contexto são os festejos alusivos a Nossa Senhora da Vitória, padroeira da Diocese de Oeiras e do Piauí, no dia em que no calendário da Igreja fazemos a memória do diácono e mártir São Lourenço. Agregamos a esta motivação o aniversário da dedicação deste templo, cujos altares foram ungidos por Dom Lorenzo Baldisseri, então Núncio Apostólico. A Igreja templo é um sinal simbólico que nos remete à Igreja povo de Deus, constituída por todos os homens e mulheres que receberam a graça sacramental do batismo, conforme nos indica o Concílio Ecumênico Vaticano II. Nós, Igreja povo de Deus, temos a missão de evangelizar, de comunicar Cristo ao mundo e propor o Reino por Ele instaurado,  onde se consolidam a justiça, a paz, a fraternidade, a solidariedade, a unidade, a experiência do amor nas relações com Deus e com o próximo, em meio ao pluralismo e a diversidade existentes na sociedade hodierna.

No caminho que percorremos esforçamo-nos para vivermos a experiência da Igreja sinodal, ou seja, uma Igreja onde todos, (bispo, padres, religiosos/as e leigos) caminham juntos. Em que direção? Com quais atitudes? Pretendemos viver um estilo eclesial que leva em consideração o processo da escuta. Não para fazer sondagem, mas para ouvir o que Deus Ilumina, para abrir-se aos novos horizontes. Para isto devemos partir da indagação: o que eu mudaria em mim para que a Igreja mude?

Uma Igreja sinodal parte do fundamento da igual dignidade de todos os batizados que nela estão inseridos. O fundamento da comunhão, da participação e da missão é o Batismo. Isto implica que todos têm a corresponsabilidade de tornar presente o Evangelho no mundo. A missão é exigência do próprio batismo. Nesta perspectiva, o governo pastoral é visto como chave necessária para garantir a unidade. O ministro ordenado preside a unidade em consonância com os Conselhos constituídos por padres, religiosos/as e leigos: Conselho Pastoral e Conselho Administrativo. Este modo de ser Igreja ajuda-nos a superar o clericalismo que é a forma inversa de um processo sinodal.

Por outro lado, não devemos confundir sinodalidade com parlamentarismo ou democracia. A Igreja é hierárquica. Nela existem princípios e valores que não podem ser questionados, que fazem parte de uma Lei maior, impressa por Deus em nossas entranhas que precisa ser observada. Daí a importância de falar e escutar com humildade. A Igreja sinodal vive a fraternidade. A pluralidade não é um obstáculo. A primeira plataforma do encontro é a consciência de que somos irmãos. Também não podemos validar tudo que é diferente quando o diferente não condiz com o Evangelho.

Algumas palavras básicas caracterizam uma Igreja sinodal: esperança, caridade, profetismo. O papa Francisco, na Encíclica Evangelii Gaudium, nº 30, nos interpela: “Exorto cada uma das dioceses a entrar decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma”.

Não nos deixemos levar pela onda dos falsos profetas. O que significa, por exemplo,  para um cristão numa denominada “marcha para Jesus” inserir a alegoria de um grande revólver sobre um veículo? Isto aconteceu em Vitória-ES.  Em Curitiba um pastor ungiu armas de fogo com estas palavras: “Senhor Deus, em nome de Jesus, nós ungimos essas armas para a segurança da população de nossa cidade”. Enquanto Jesus Cristo reage quando Pedro puxa a espada para defendê-lo: “Guarda a espada. Todos os que usam da espada, pela espada perecerão” (Mt, 26,52).

Meus queridos diocesanos, não podemos nos descurar da Palavra de Deus em nosso cotidiano e em nossas assembleias litúrgicas, pois ela é fonte de vida e de libertação para toda a humanidade. Entremos nos textos que ouvimos na liturgia de hoje. A primeira leitura, da segunda carta de São Paulo aos Coríntios (9,6-10), nos ensina qual deve ser a proporção da nossa entrega: “Quem semeia pouco colherá também pouco e quem semeia com largueza colherá também com largueza”. Nada de mesquinharia na missão. Entreguemo-nos de corpo e alma. E o texto prossegue com estas encantadoras palavras: “Dê cada um conforme tiver decidido o seu coração, sem pesar, nem constrangimento; pois, Deus ama a quem dá com alegria”. Qual é a medida de nossa entrega? O que oferecemos a Deus e à nossa Igreja?  Somos generosos?  Sentimo-nos verdadeiramente chamados por Deus para colaborar com o Seu Plano de Salvação?

O Santo Evangelho (Jo 12,24-26) com a parábola do grão do trigo nos convida ao seguimento de Cristo e reitera a necessidade da nossa entrega, do consumir-se, do desapego para gerar vida aqui no presente e para ganhar a vida eterna.  “Te amarei, Senhor… Eu só encontro a paz e a alegria bem perto de Ti”.

Que a Virgem da Vitória, a mulher sinodal por excelência, interceda a Deus por nós para que nunca nos falte o zelo pelo rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo, nem o ardor pela missão.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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