Reflexão de Dom Edilson Nobre por ocasião da Missa do Crisma

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Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A celebração eucarística que ora realizamos, por ocasião da bênção dos Santos Óleos denominada MISSA DO CRISMA, acontece uma vez ao ano. A orientação litúrgica é que este evento aconteça na manhã da quinta-feira Santa ou, por razões particulares, em dias próximos a este. Em nossa Diocese, por razões convencionais, é prática habitual realizarmos esta liturgia na segunda-feira da Semana Santa.

Como de costume, vamos consagrar o Santo Crisma e benzer os óleos do Batismo e Unção dos Enfermos. Com o Santo Crisma consagrado são ungidos os recém-batizados e são marcados com o sinal da cruz os que vão ser confirmados; são ungidas também as mãos dos presbíteros e a cabeça dos Bispos por ocasião da ordenação, bem como as Igrejas e os altares na sua dedicação. O óleo dos catecúmenos será abençoado e disponibilizado para o Batismo daqueles que serão inseridos na vida da comunidade católica. O óleo dos enfermos, uma vez abençoado servirá como possibilidade de alívio e de cura para os féis enfermos que recebem o sacramento da Unção.

Esta Missa Crismal é para nós sinal de unidade e de comunhão entre o pastor e seus presbíteros, de cujo múnus sagrado participam, na edificação, santificação e condução do povo de Deus e deste modo se manifesta claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo continuado na Igreja. Assim sendo, este encontro torna-se sinal e expressão de manifestação da comunhão dos presbíteros com seu Bispo e com sua Igreja.

Dentro de alguns instantes os nossos presbíteros estarão renovando publicamente as promessas sacerdotais que fizeram no dia da ordenação presbiteral. Renovar para reaquecer o coração, voltar à fonte e preservar o entusiasmo pelo exercício do ministério que a Igreja lhes confiou. Aliás, um ministério muito especial reservado apenas a alguns que foram tirados do meio do povo para assegurar a continuidade da Igreja, sobretudo, na administração dos sacramentos, função que lhes são próprias.

Daí por que, queridos sacerdotes, não podemos negligenciar nas atribuições que nos são confiadas, pois, somente nós podemos realiza-las; não podemos deixar que o cansaço nos absolva. Obviamente, não estamos sozinhos neste barco. O povo de Deus vai junto conosco, mas esse povo precisa ser guiado e espera encontrar em nós: ânimo, iniciativa, condução, articulação, direcionamento, responsabilidade, criatividade, proatividade, discernimento, determinação, juízo e, o mais importante, testemunho de santidade.

Caríssimos! No dia primeiro de abril (sábado passado) eu completei seis anos de permanência entre vós. Um potiguar que se tornou piauiense (sem deixar de ser potiguar). O meu propósito, desde o primeiro instante em que aqui cheguei é o mesmo: garantir a unidade em nossa Igreja Diocesana, com espírito eclesial, sentimento paterno, fraterno e filial ao mesmo tempo; nutrindo na prática cotidiana a vivência do lema escolhido para o meu ministério episcopal: “em tudo a caridade”. Nem sempre é fácil, pois, somos desafiados pelos nossos próprios limites. No entanto, nas horas mais críticas, quando as noites traiçoeiras nos surpreendem com a escuridão das incertezas, de forma sutil, serena e incisiva, sempre nos tem surgido a luz da Providência Divina. Deus nunca nos deixou na mão!

Eu convido a todos, irmãos e irmãs, a nos deixarmos guiar, em nosso cotidiano, pela Palavra de Deus, pela força da Eucaristia e pelos ensinamentos do Magistério da Igreja. Seguramente, se assim procedermos, experimentaremos com alegria os frutos de uma Igreja Sinodal, cada vez mais viva e atraente, iluminada pelas práticas da comunhão, da participação e da missão.

Na liturgia de hoje, ouvimos três leituras: Isaías 61,1-3a.6a.8b-9, Apocalipse 1,5-8 e Lucas 4,16-21. Estes textos vão direto à essência da missão confiada por Deus ao seu povo ao longo da história. Interpelam-nos a ser Igreja profética, serva, discípula e missionária, chamada por Nosso Senhor Jesus Cristo a comunicar e testemunhar o seu Evangelho.

Os textos ajudam-nos a perceber que a missão profética de Jesus é anunciada desde os tempos antigos, pelos profetas; e hoje, a missão profética de Jesus é continuada por seus ministros sagrados, aqueles que receberam o sacramento da Ordem, assim como também pelos consagrados e leigos engajados que, cientes da missão recebida no batismo, exercem o seu protagonismo na família, na Igreja e na sociedade.

A missão que o Pai confia a Jesus é clara e não devemos ocultar: “Anunciar a boa nova aos pobres, libertar os cativos, iluminar os cegos, libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor”. Assim sendo, o rumo da Igreja hoje não pode ser outro, pois, somos continuadores da missão de Cristo. A proposta de Jesus é sempre atual. Não convém inventarmos modismo, nem criatividade selvagem. Nem muito menos querermos fazer a “nossa igreja” conforme conveniências e interesses de alguns. Se, porventura, nos falta a capacidade de atrair novos adeptos, não é que a Igreja esteja superada; é mais provável, que não estejamos sendo convincentes com o nosso testemunho de fé e muito menos com o nosso jeito de ser Igreja na relação institucional com as pessoas e com a sociedade.

Concluindo, eu vos exorto: Sigamos os passos do Bom Jesus. Mantenhamos os nossos corações ardentes, como fizeram os discípulos de Emaús ao sentirem a presença do Cristo Ressuscitado. Que os nossos pés estejam sempre firmes no caminho para realizar a missão; não importa se houver poeira, lama ou o causticante sol do Piauí. Estejamos prontos e encorajados como nossa Mãe, Maria Santíssima, a Virgem da Vitória: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”.

Nossa Senhora da Vitória! Rogai por nós!

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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