QUEREMOS UM MUNDO DE IRMÃOS

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Não tem medida os avanços e as recentes conquistas biotecnológicas, médicas, tecno-científicas, genéticas, espaciais, de informática… feitas pela humanidade.

Não tem medida, também, por outro lado, a concentração da renda e do poder, a miséria, a fome, a pobreza, a discriminação, o preconceito, a segregação… Será que o desenvolvimento sócio-econômico só serve para ampliar as desigualdades? Não seria possível usarmos tudo isso para promovermos a justiça?

O Brasil é o país da diversidade, da pluralidade, da multiplicidade e da miscigenação. Não obstante, ostenta a contradição; convive passivamente com os extremos gritantes e carece de iniciativas conseqüentes para mudanças estruturais significativas.

Em nossa pátria amada e idolatrada, nem todos os filhos são tratados com amor, dignidade e respeito; o berço esplêndido é privilégio; a igualdade é utopia; a paz no futuro é minguada e a glória do passado foi sepultada com seus verdadeiros heróis.

Não podemos continuar vivendo com a consciência morta. É preciso acordar! Em nosso país muitos dormem o sono alheio.

Estamos no mês de novembro e, precisamente, na semana nacional da consciência negra.  Acontece que, todo dia 20 de novembro é o dia de Zumbi dos Palmares, uma das figuras históricas mais importantes da resistência negra contra a escravidão e o racismo.

A consciência negra não é um reduto, nem um gueto racial, mas uma convocação geral para recriarmos relações verdadeiramente humanas. A consciência negra é o caminho para restaurar os valores, a força, a identidade, a beleza, a dignidade, os direitos… do povo brasileiro e revitalizar as raízes culturais que lhes são mais profundas e próprias.

Somente através da luta conquista-se espaço e direito. A maior parte das conquistas foram fruto do heroísmo e da resistência desde os quilombos, desde “os Zumbis”. Outras tantas conquistas só chegaram por força de lei e, permanentemente combatidas. A lei das cotas e da obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira são exemplos vivos disso.

Os negros trazidos para América, ficaram submetidos ao sistema de produção econômico, primeiro como escravos no trabalho e depois como escravos do passado. Dentro deste é que nasceram e se reproduziram as condições de marginalização e empobrecimento.

Entre tantas situações que pesam sobre o povo negro e são como um clamor de oprimidos destacamos: 1) a exclusão de negros e negras dos altos postos nas diferentes esferas, governamentais, militar, universitária, eclesiástica, etc; 2) o peso da cultura dominante que arrisca a sufocar “o negro”, manipulando-se os censos ou estatísticas e tornando-se invisível o povo negro de cada país; 3) a marginalização geográfica com a imposição das favelas e das periferias, o que equivale à exclusão dos centros de produção; 4) a luta pela sobrevivência, em nível pessoal e comunitário, dificulta os processos de organização do Povo Negro; 5) as dificuldades no mercado de trabalho agravam a situação dos negros e as negras; 6) a negação da história específica do Povo Negro e o desconhecimento da contribuição dos seus líderes à história nacional impede a existência de um programa multirracial de educação; 7) a falta de compromisso serio da sociedade civil que impede a possibilidade de políticas afirmativas.

A desigualdade de condições políticas, econômicas, sociais e culturais reproduz racismo, discriminação racial, xenofobia e formas intolerantes de relacionamentos, que constituem a negação dos propósitos e princípios fundamentais dos direitos humanos.

É fundamental a criação de meios para uma sociedade mais livre e justa.

É preciso ampliar as ações proféticas em nosso meio para que a riqueza do pluralismo cultural não seja debilitada pela cultura dominante. Pelo contrário, seja expressão de “catolicidade” e do “ecumenismo” radical da utopia cristã.

Queremos um mundo de irmãos!

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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