QUEREMOS DEUS OU UM MÁGICO?

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Em todo show de mágica há sempre um abracadabra. Aliás, todo mundo espera isso do mágico. A Palavra síria “Abracadabra” é bastante conhecida e usada como capaz de dar efeito à magia. Esta palavra foi mencionada, pela primeira vez, num poema “Precepta de Medicina”, escrito por Q. Serenus Seammonicus, físico gnóstico do século II, que recomendava como preventivo e para curar febres. Era, geralmente, gravada em medalhas, pedras preciosas, papel ou pergaminho ou mesmo proclamada.

Que ligação existe entre o que queremos de Deus e o abracadabra do show dos mágicos?  O que tem a ver fé e abracadabra? Aparentemente, nada tem a ver uma coisa com a outra. Entretanto, na prática de fé de muitas pessoas, parece haver uma conexão de causa-efeito-resultado. Tudo se baseia naquilo que se está querendo.

Vemos multidões incontáveis de “neo-convertidos”, desesperados, descontentes, angustiados que, acreditando encontrar o “seu tudo”, num Deus-mágico, se põem numa corrida sem freios, para conseguir chegar a este solucionador de tudo. Transformam a procura de Deus numa fastidiosa luta para conseguir a sua vez, entre tantos que querem ser lembrados. De tal forma que a realização de um fica sendo a frustração do outro.

Um sério problema é que, o resultado da fé passou a significar a cura, o milagre, o prodígio etc etc e tal, como prova do poder de Deus. De tal forma que raciocinam, os “cristãos da emergência”, que, onde não ocorrem ações extraordinárias não há Deus e não há fé.  Logo, é preciso mudar de religião, mudar de Deus, mudar de Bíblia. Isso é tentar instrumentalizar a Deus. É torcer a fé para satisfazer desejos que são imediatos.

Esse tipo de pensamento interesseiro e oportunista Jesus criticava nos fariseus: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas” (Mt 16,4) e criticava também no povo: “Eu garanto a vocês: vocês estão me procurando, não porque viram os sinais, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos.  Não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna” (Jo 6,26-27)?

As pessoas não estão buscando a fé como compromisso com Deus, com os outros e consigo mesmas. Estão buscando resultados e, se não o encontram na hora que sua pressa estabelece, pulam de galho em galho; correm de benção em bênção; saltam de batismo em batismo; vivem de tenda em tenda; rifam a verdadeira adesão a Deus pela satisfação imediatista de interesses que, até são justos, mas depois de satisfazê-los, viram as costas e nem sequer agradecem. Ou o que é pior ridicularizam a fé dos outros, ironizando as suas dificuldades.

Algumas pessoas vão além, colocam o demônio como causador de todo o mal: “é o inimigo isso; o inimigo aquilo…” Tudo o inimigo!  E, não fazem outra coisa na vida a não ser espantar demônio ou procurar quem o espante.  Pessoas que precisam do demônio para justificar os seus fracassos e frustrações, são pessoas imaturas que não assumiram a própria vida e os próprios erros; vivem de justificar e, o que é pior, a vida toda vão precisar de um exorcista a tiracolo.  Terão mais o nome do diabo na boca do que o nome de Deus.

A fé tem que nos ensinar a raciocinar, a usar as nossas forças e a fazer as mudanças de atitudes e comportamentos; tem que nos ajudar nas decisões, nas palavras, nas relações, nas tribulações; enfim tem que nos fazer chegar a ser gente de verdade, com grandezas e misérias. Senão, esta fé que pensamos ser “o pau pra toda obra” não passará de uma alienação e, ao invés de nos levar a Deus, vai nos aprisionar numa caricatura de Deus, rabiscada com as tintas do medo, da vingança, da tirania, da perseguição….

O que precisamos buscar em Deus é a capacidade para administrar a própria vida. Não como agentes solitários, mas como inspirados por Deus. Porque não podemos passar a vida toda querendo que Deus viva a vida por nós.

Se na vida, tivéssemos que enfrentar apenas um exemplar de algumas dificuldades, não custaria nada Deus “tirar” algumas para não sofrermos. Mas a vida é mais complexa e dinâmica. Se temos um problema extirpado por Deus e, até mesmo, pelos outros, nunca vamos aprender a enfrentar a vida. Viveremos de pedir favor e clemência, quando na verdade, Deus nos fez administradores. E não podemos ter preguiça e nem medo de viver.  Esta é a nossa tarefa!

É bom e necessário contar com Deus. Mas, queremos Deus ou um mágico?

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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