QUEM ABRE OS OLHOS VÊ!

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A sensibilidade humana é garantida pelas capacidades que lhes são próprias: físicas, mentais, psicológicas…

Somos dotados de muitas capacidades físicas, algumas das quais nem sempre usamos completamente. Diz-se que usamos apenas 20% da nossa capacidade cerebral e, geralmente o lado esquerdo, mais racional.

Nossos sentidos, em número de cinco (visão, audição, olfato, gustação, tato) nos dão as condições básicas para travarmos contato com o mundo.

Sabendo que a visão é um dos sentidos que mais usamos, convém que nos detenhamos diante da sua realidade e aprofundemos sua capacidade e força. Afinal de contas, ver é tão preciso que, se tivéssemos que abdicar de algum sentido seria tudo, menos ver. Assim não basta ter os olhos é preciso aprender a enxergar as coisas. Mas, uma coisa é certa, quem abre os olhos vê.

A capacidade de enxergar está sempre relacionada às condições reais de luminosidade. Onde há escuridão há menos definição daquilo que se vê. Nesse sentido, mesmo que providenciássemos o melhor óculos ou a melhor lente de aumento, sem resolver o problema básico da falta de luz, não enxergaremos nada, nunca. Por isso, fora, ou dentro de nós é preciso ter luz para enxergar.

“A lâmpada do corpo é o olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro fica iluminado. Se o olho está doente, o corpo inteiro fica na escuridão. Assim, se a luz que existe em você é escuridão, como será grande a escuridão!” (Mt 6,22-23)

Grande parte dos nossos desejos são fomentados por aquilo que vemos. Porta de entrada, os nossos olhos alimentam todas as formas de intenções interiores, sejam aquelas mantidas pela fé, pelo afeto, pelos sentimentos, pelas emoções, pelos instintos… A falta de auto controle gera a obsessão. O problema não é o olho, mas as intenções que alimentamos com o que estamos vendo. A malícia é um bom exemplo da perversão do olhar.

A capacidade visual não diz respeito apenas ao poder de ver as coisas e identificá-las. Não é apenas uma capacidade física. A visão é, também, uma capacidade de interpretar, de entender e de se posicionar. Por exemplo, o modo como vemos e como entendemos as coisas ou as pessoas é, também, o modo como nos relacionamos com elas. Assim, os limites dos nossos relacionamentos estão determinados pelos horizontes de nossa visão sobre tudo.

“Se o olho direito leva você a pecar, arranque-o e jogue-o fora! É melhor perder um membro, do que o seu corpo todo ser jogado no inferno” (Mt 5,29).

O jeito de fazer todas as coisas está diretamente ligado ao modo como somos nós. Por isso, a questão básica do olhar está, não na auto mutilação e nem tão pouco na fuga daquilo que nos provoca ou tenta, mas numa ação positiva que busca educar o nosso jeito de olhar. O que estas palavras bíblicas nos ensinam não é a auto mutilação, mas a reeducação de um modo de ver que destrói e mata. Isso, sim, precisamos jogar fora.

A nossa fé deve prescindir das capacidades dos olhos, para conseguir afirmar as realidades que os olhos não são capazes de ver e nem de contemplar. Foi assim com Tomé quando Jesus, depois de ressuscitado, se manifestou aos seus discípulos e ele não estava presente. Exigiu provas, precisou tocar. Jesus, porém, lhe disse: “…Não seja incrédulo, mas tenha fé. (…) Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditam sem ter visto!” (Jo 20,26-29).

Cristo está vivo: ressuscitado. Feliz páscoa permanente!

Por: pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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