PARA VOCÊ, QUEM É JESUS?

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Segundo o ditado: ‘para conhecer bem uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela’; quer dizer: tem que conviver demoradamente, para a recíproca abertura dos universos pessoais: a palavra, o coração, a intimidade, a história, os sonhos… O mundo de cada pessoa é muito amplo e precisa ser descoberto, pouco-a-pouco, no amor e no respeito e, não rompido na pressa curiosa e invasiva. A vida do outro é terreno sagrado, tanto quanto a minha.

O encontro com o outro não é para estabelecer unanimidade por definições e rótulos. Pelo contrário, o encontro com o outro é para acolher e entrar em sua instigante novidade cotidiana porque, a vida é sempre nova; a vida está sempre num vir-a-ser.

O ‘novo’ que caracteriza a vida, não é dissimulação, despersonalização e esquizofrenia; não é mutação é metamorfose; não é deixar de ser isso para ser aquilo; é crescimento; é ser o que se é com o outro, diferente de si. O novo da vida é processo, interação e ajuste. Não é circunstância, é morada. Não é um instante, é jornada. O novo da vida não desarruma a pessoa, enlouquecendo a sua identidade. O novo da vida que, não é obra do acaso, mas, dinâmica da própria vida, supõe mudanças pessoais conscientes e bem determinadas no agir, no fazer e no falar para que não haja desintegração do eu, do ser, da identidade. Em linguagem de fé, o novo da vida supõe conversão. Assim, o encontro com o outro nos abre ao novo e nos chama à mudança!

Todos nós temos dificuldade de relacionamento porque desconsideramos o novo que se impõe como paradigma, como lei e movimento. Nós enclausuramos o outro em definições e rótulos a partir de aparências, circunstâncias e momentos, como Joãozinho e Maria, que marcaram o caminho com migalhas de pão. Assim como Joãozinho e Maria não reconheceram o caminho de volta porque os passarinhos comeram a trilha de pão, também nós, viveremos perdidos no caminho para o outro, porque o marcamos, apenas, com migalhas.

A liturgia, neste final de semana (19 e 20 de junho), traz no miolo da proclamação da Palavra, no Evangelho de Lucas Lc 9,18-24, uma instigante pergunta de Jesus em dois tempos: “Quem dizem as multidões que eu sou?” (v. 18). “E vocês, quem dizem que eu sou?” (v. 20).

A vida pública de Jesus o expõe a todos os olhares, definições e rótulos. Ele ‘entra’ no universo da esperança messiânica, como Messias, sem os qualificativos e status pertinentes a este mister. Quem é ele? Perguntam, incrédulas, as autoridades!

Jesus é uma controvérsia. “Os dirigentes dos judeus tentam prender Jesus, que para eles é uma ameaça. E no meio do povo a divisão continua: o tema da discussão é sobre a origem do Messias. Uns não aceitam Jesus, baseados numa tradição teórica sobre a origem do Messias. Outros, que já são muitos, acreditam que Jesus é o Messias, porque prestam atenção na sua prática libertadora e vêem nisso sinal da presença de Deus. E Jesus então mostra o verdadeiro critério para reconhecer o Messias: não é o lugar de sua origem, mas o fato de ele ser o enviado de Deus, cuja atividade seja reconhecida pelas obras que faz.” (Bíblia Pastoral: nota para Jo 7,25-36.40-44).

De fato, a história de Jesus é avessa à história que pretendem encaixá-lo sob o rótulo de Messias. Jesus é um Messias diferente porque é o Messias do Pai: o enviado do Pai. A incompreensão a respeito de Jesus denuncia a incompreensão a respeito do Pai: de sua vontade, planos, promessas e ações.

Jesus não é Messias segundo o interesse do mundo. “O sumo sacerdote o interrogou de novo: ‘És tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?’ Jesus respondeu: ‘Eu sou. E vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu’” Mc 14,61-62). Jesus diz, ainda, mais: Eu sou o pão da vida (Jo 6,35) …a luz do mundo (Jo 8,12) …lá de cima (Jo 8,23) …a porta das ovelhas (Jo 10,7) …o bom pastor (Jo 10,14) …a ressurreição e a vida (Jo 11,25) …o mestre e o senhor (Jo 13,13) …o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6) …a verdadeira videira (Jo 15,1) …Jesus, o nazareu, a quem você está perseguindo (At 22,8) …o alfa e o ômega … Aquele-que-é, que-era e que-vem, o deus todo-poderoso (Ap 1,8).

Para você, quem é Jesus?

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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