O INFERNO SE CHAMA EGOÍSMO

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Nossos medos, também, denunciam nossos fechamentos, nossas distâncias e abismos. Porque temos medo vivemos de nos defender contra tudo e contra todos. De tal forma que nos fechamos numa ilha, isolados, incomunicáveis e sem laços.

A relação de proximidade uns com os outros é, sem dúvida, marcada por muitos conflitos, desafetos e, até, quem sabe, por desentendimentos e desavenças. Mas, isso não significa que o outro seja o meu inferno ou que seja impossível firmar laços duradouros com quem quer que seja.

Seria muito bom se tivéssemos a oportunidade de avaliar, melhor, os danos da solidão e do isolamento para compreendermos a necessidade e a urgência de uma luta decidida contra toda forma de individualismo e egoísmo.

Repare bem nesta história!

“Ninguém sabia o nome dele, se é que ele tinha. Vivia sempre sozinho.  Era difícil alguém vê-lo e, quando era visto estava sempre ocupado, correndo para lá e para cá. Apelido é o que não lhe faltava: ‘mão de vaca’, ‘unha de fome’, ‘murruga’… Mas, o apelido com o qual ficou popular era Senhor Avarento.

De fato ele era um homem que não ajudava ninguém, não tinha olhos para ninguém, queria tudo para si e parecia bastar-se a si mesmo. Morava no alto de uma colina e sua casa era como um esconderijo; cercada por uma grande muralha que ocultava toda a casa. Isso era muito estranho para um povo cuja cidade era como um pequeno bairro de cidade grande, onde todos se conheciam.

Ninguém sabia nada do Senhor avarento! A única coisa que diziam é que ele tinha muito medo de morrer. Por isso a garotada vivia fazendo das suas para deixar o homem apavorado no confronto com situações de risco e de morte. Na verdade, esse era o gosto de todo mundo naquele lugar.

Certa manhã, quando o sol já ameaçava tingir o azul do céu com seus raios coloridos, a cidade inteira levou um susto ao ver o Senhor Avarento, imponente como era, sentado na calçada, seminu, chorando e implorando ajuda para decifrar um sonho.

Depois de uma longa espera debaixo de um sol que, àquela hora, já estava ‘a pino’, aproximou-se dele o Senhor Antônio, um homem simples, mas o mais velho do lugar; era a expressão da sabedoria.

Sem dizer uma só palavra inclinou-se para o Senhor Avarento que, soluçando contou-lhe o sonho: “Tenho sonhado sempre com fome mas, esta noite eu sonhei que eu estava com uma fome enorme e apareceu diante de mim o céu e o inferno. Tanto num como no outro havia abundância de comida; mesas fartas; panelas grandes e colheres enormes. No céu, as pessoas estavam bonitas, coradas e sadias já no inferno as pessoas estavam secas, pálidas e doentes. E, quanto mais eu me aproximava do céu e do inferno mais a fome doía em mim”.

O Velho olhou para ele tomou a palavra e disse: ‘A resposta para o seu sonho e o segredo das pessoas, são as colheres enormes que você viu na mesa. No céu, as pessoas estão saudáveis porque umas alimentam as outras usando as colheres para alcançá-las à distância, o que as aproximam. No inferno, as pessoas são doentes porque cada um quer se alimentar por conta própria e não obtêm êxito. Pelo contrário, além de não se alimentar conservam entre si uma grande distância. Seu destino será morrer de fome, mesmo tendo tanta comida ao alcance e disposição.”

Os outros não são o meu inferno! Pelo contrário, sem os outros eu não sou ninguém. Eu necessito dos outros como um braço direito. Os outros são o meu céu; o fim de minha fome… O nome do inferno é Egoísmo!

Acabando com o egoísmo, acabamos com a nossa fome!’

O Senhor Avarento saiu em silêncio, entrou em casa, muniu-se de marreta e coragem e pôs-se a derrubar o muro de sua casa!

Nós necessitamos muito uns dos outros. Enquanto não vencermos o orgulho, também não venceremos o egoísmo, porque um dá sustentação ao outro. Nosso céu, começa na terra e passa, necessariamente, pelas mãos dos irmãos, ao nosso lado.

Por: pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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