O FILHO PRÓDIGO

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A narração bíblica sobre o filho pródigo é uma lição maravilhosa para pais e filhos sobre relações familiares na base da misericórdia, mas é, também, um alento nesse tempo da pandemia que alastra a devastassão do esvaziamento.

Vale a pena ler o texto bíblico e buscar um bom entendimento. Eu, particularmente, acho que Santo Agostinho deu uma boa interpretação ao texto e acho-me no dever de compartilhar, ao menos, uma pequena parte

“O homem que tem dois filhos é Deus que tem dois povos: o filho mais velho é o povo judeu; o menor, os gentios. O patrimônio que este recebeu do Pai é a inteligência, a mente, a memória, o engenho e tudo o que Deus nos deu para que O conhecêssemos e Lhe déssemos culto. Tendo recebido este patrimônio, o filho menor ‘partiu para um país muito distante’. Distância significa: o esquecimento de seu Criador. ‘Dissipou sua herança vivendo dissolutamente’: gastando e não ajuntando; malbaratando tudo o que tinha e não adquirindo o que não tinha, isto é, consumindo toda sua capacidade em luxúria, em ídolos, em todo tipo de desejos perversos, aos que a Verdade denominou meretrizes.

Não é de admirar que essa orgia acabasse em fome. ‘Sobreveio àquela região uma grande fome’; fome não de pão visível mas da verdade invisível. E, por causa da fome, ‘foi pôr-se a serviço de um dos senhores daquela região’. À margem de Deus, por entregar-se a seus próprios recursos, foi submetido à servidão e lhe tocou o ofício de apascentar porcos, o que significa a servidão mais extrema e imunda. Alimentava-se então das vagens de porcos sem poder saciar-se. Vagens são as vistosas doutrinas do mundo: servem para ostentar mas não para sustentar; alimento digno para porcos, mas não para homens.

Até que, por fim, tomou consciência do lugar em que tinha caído; do quanto tinha perdido; Quem tinha ofendido e a quem se tinha submetido. Reparai no que diz o Evangelho: ‘Entrando em si…’; primeiramente, voltou-se para si e só assim pôde voltar para o pai. Dizia talvez: ‘O meu coração me abandonou (isto é: saí de mim mesmo)’ (Sl 40,13); daí que fosse necessário, antes, voltar para si mesmo e assim perceber que se encontrava longe do pai. É o que diz a Escritura quando increpa a alguns, dizendo: ‘Voltai, pecadores, ao coração! (isto é: voltai, pecadores, a vós mesmos!)’ (Is 46,8). Voltando para si mesmo, encontrou-se miserável: ‘Encontrei, diz ele, a tribulação e a dor e invoquei o nome do Senhor’ (Sl 116,3-4). ‘Quantos empregados, diz ele, há na casa de meu pai, que têm pão em abundância, e eu, aqui, a morrer de fome!’ (…).

Levantou-se e voltou. Ele, caído por terra depois de contínuos tropeços. O pai o vê ao longe e sai-lhe ao encontro. É dele que fala o Salmo: ‘Entendeste meus pensamentos de longe’ (Sl 139,2). Que pensamentos? Aqueles que o filho tinha em seu interior: ‘Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como a um dos teus empregados’. Ele ainda nada tinha dito, só pensava em dizer. O pai, porém, ouvia como se o filho já o estivesse dizendo. Por vezes, em meio a uma tribulação ou tentação, alguém pensa em orar, e, no próprio ato de pensar o que irá dizer a Deus na oração, considera que é filho e que, como tal, tem direito a reivindicar a misericórdia do Pai. E diz de si para si: ‘Direi a meu Deus isto e aquilo; não temo que, em lhe dizendo isto, e chorando, não seja eu atendido pelo meu Deus’. Geralmente, Deus já o está atendendo quando ele diz estas coisas; e mesmo antes, quando as cogita, pois mesmo o pensamento não está oculto ao olhar de Deus. Quando o homem delibera orar, já lá está Aquele que lá estará quando ele começar a oração.

A hora da misericórdia de Deus é um caminho inteiro de espera por nós, que passamos uma boa parte de nossa vida fugindo ou permanecendo à distância. Mas Deus, sempre, espera e nos recompõe ao seu lado com festa abundante.

A Misericórdia de Deus não se cansa. Pelo contrário, na paciência Deus espera por ti e por mim!

 

Por: EDIVALDO PEREIRA DOS SANTOS

Foto: Google

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