O efeito trágico de atos impensados

Compartilhe:

Toda ida pressupõe uma volta. Mas, há quem diga, sem nenhum escrúpulo ou arrependimento: “vá e não volte mais!” (…) “que o diabo o carregue!” (…) “Que não fique nem o seu rastro!” (…) “Já foi tarde!”

Que pena! Fechar a porta atrás de si, nem sempre, significa se livrar de um problema, situação ou pessoa. Em alguns casos – e não são poucos – a porta fechada, com a intenção de se livrar do incômodo problema, situação ou pessoa, acaba sendo mais um encapsulamento, do próprio individuo, na redoma dos sentimentos negativos e feridos e, por consequência, acarretando situações de efeito trágico.

Isso é parecido com a história daquele homem que resolveu por um fim à visita incômoda do gato que, noturnamente, entrava em sua carne e roubava carne e outros alimentos.

Um dia, decretou que daria um jeito na situação. E não deu outra. Fez uma armadilha para o infame visitante e, capturando-o, sem chance de fuga, decidiu pôr em prática, o plano que poria fim ao mal que, há tempos, vinha sofrendo! Pegou uma luva de couro, segurou bem o gato que, não lhe opôs muita resistência.

Preparou um cordão de pólvora com algumas bombas: amarrou no rabo do gato… abriu a porta…  colocou-se debaixo da cobertura do alpendre… acendeu o cordão que, virara um grande pavio… soltou o gato… correu para dentro de casa… fechou a porta e foi assistir, de camarote, o espetáculo do pobre gato que corria, para todos os lados, assustado com o fogo e os estalos das bombas.

Enquanto isso, atrás da vidraça da janela, esborrachava-se de rir, o dono da atroz proeza. Depois de inúmeras cambalhotas e corre-corre, perdeu o gato de vista e foi sentar-se, satisfeito, em sua cadeira de balanço. Dormiu, serenado, repleto de êxito.

A paz da cadeira de balanço foi sacolejada pelos gritos ensurdecedores dos seus vizinhos e de alguém que, batia, sem piedade, na porta fechada a minutos antes. Sem entender muito bem o que estava acontecendo, soltou o ferrolho, girou a chave e abriu a porta.

Inacreditável! Ao fundo de sua casa, tomado pelo fogo em, grandes chamas, ardia o seu celeiro com toda a colheita da última safra. Longe da cidade e, com o único telefone, nas mãos de um senhor de noventa anos, doente e surdo, demoraram para conseguir contato com o corpo de bombeiro que, só depois de 1 hora conseguiram chegar ao local do fogo que já havia devorado tudo.

O que será que aconteceu? Não havia rede elétrica no celeiro para produzir um curto circuito… não era um homem que alguém soubesse ter inimigos… O que será que aconteceu?

Os bombeiros entraram e vasculharam todo o local do fogo… nada encontraram, a não ser os restos mortais de um gato que, julgando ser de estimação do homem, trouxeram e anunciaram-lhe o triste destino do animal.

Silêncio e pranto do dono do celeiro que, para espanto de todos, se desmanchava lágrimas, diante do gato morto. Todos comentavam: “Ele sofre mais pelo gato de estimação do que pelo celeiro e a última safra”. No entanto, só ele, olhando para o gato e chorando inconsolável, sabia que o fogo no celeiro não era produto de acidente ou crime mas, consequência dolorosa, de um plano infeliz que, pretendia dar uma grande e definitiva lição no grato ladrão que, lhe surrupiava alimento e carne.

Pois é! Que desastre na vida desse homem!

De fato ele fez mal, colocando em prática um plano de maldade para dar uma lição no incômodo visitante noturno. Mas, como diz o ditado: “o tiro saiu pela culatra.” Para se livrar das bombas presas ao seu rabo, o gato, amedrontado, buscou refúgio no celeiro e, o que era para ser uma lição, tornou-se uma tragédia.

Cuidemos para não perder de vista o que fazemos. Porque, por menor e, aparentemente, inofensivos que pareçam, nossos atos podem redundar em tragédia  sobre nós mesmos.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

Posts Relacionados

ANO
JUBILAR

AMIGOS DO
SEMINÁRIO

ESCOLA
MISSIONÁRIA
DISCÍPULOS DE
EMAÚS - EMIDE

Facebook

Instagram

Últimos Posts