O coração tem poder que as mãos desconhecem

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O ser humano é, por natureza, incompleto. Isso não quer dizer que Deus nos fez pela metade. Não! É bem o contrário. Nós somos a obra prima da mão de Deus; a mais perfeita de todas. Mas, um aspecto fundamental de nossa perfeição é que nós precisamos uns dos outros para viver e sobreviver: desde o nascimento até a morte. Somos, existencialmente, carenciais: para suprir as nossas necessidades, diárias, são necessárias muitas mãos e corações.

De fato, nossas necessidades nos impulsionam e, ao mesmo tempo, nos esgotam. Todos os dias precisamos prover as nossas necessidades e as dos outros, com os quais nos relacionamos, direta ou indiretamente.

Uma parte do provimento das necessidades vem do poder das mãos: pelo trabalho, pelas lutas, pelas labutas, pela organização, pela inventividade, pelas conquistas, pela construção, pela técnica… Mas, apesar de toda capacidade de provimento, o poder das mãos não resistem à dor, ao sofrimento, ao enfraquecimento, ao envelhecimento e ao cansaço. Se o coração não acompanhar as mãos na obra do provimento, a busca de satisfação humana das necessidades torna-se um fracasso porque, nem tudo se consegue por força do dinheiro, das habilidades, da técnica e da inventividade. Se não tem o poder do coração, mesmo com uma coleção de conquistas, o ser humano não alcança a realização e o contentamento.

Parafraseando Blaser Pascal, “o coração tem razões que as mãos desconhecem.” Quero dizer que, enquanto as mãos podem trabalhar, simplesmente, para acumular, para guardar e para ter, o coração, trabalha para a generosidade, a compaixão, a solidariedade, a multiplicação e a partilhar. E, este é, sem dúvida, o maior milagre na busca de satisfação das necessidades humanas porque, nem todos tem o poder das mãos: seja por deficiência congênita, por acidente, mutilação… mas, todos temos um coração. E, quanto ao poder do coração, só não o tem quem se decidiu a não o aceitar; quem resolveu não lhe dar passagem; quem não permitiu seu florescimento; quem não autorizou seu desenvolvimento e quem não considerou o seu milagre.

Ora, se a nossa natureza é carencial, se somos seres relacionais, se queremos a satisfação completa de nossas necessidades, se nossas mãos são limitadas para alcançar realização completa…? Por que insistirmos naquilo que é o óbvio da nossa insatisfação e na dos outros? Se permitimos as mãos e seu poder, por que não permitirmos, também, o coração com todo o seu poder de operar milagres. Nesse sentido precisamos reaprender o caminho do coração.

O que a fé nos ensina?

Na carta aos efésios 4,1-6, ensina São Paulo: “Peço que vocês se comportem de modo digno da vocação que receberam. Sejam humildes, amáveis, pacientes e suportem-se uns aos outros no amor. Mantenham entre vocês laços de paz, para conservar a unidade do Espírito. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação de vocês os chamou a uma só esperança: há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está presente em todos.”

No Evangelho de Joao, Jesus desperta os seus discípulos para o poder de multiplicação da partilha e sacia a fome do povo, em Joao 6,1-15: “Uma grande multidão seguia Jesus porque as pessoas viram os sinais que ele fazia, curando os doentes. Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro. Então Jesus disse a Filipe: ‘Onde vamos comprar pão para eles comerem?’ Jesus falou assim para testar Filipe, pois sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: ‘Nem meio ano de salário bastaria para dar um pedaço para cada um.’ Um discípulo de Jesus, André, o irmão de Simão Pedro, disse: ‘Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas, o que é isso para tanta gente?’ Então Jesus disse: ‘Falem para o povo sentar.’ Havia muita grama nesse lugar e todos sentaram. Estavam aí cinco mil pessoas, mais ou menos. Jesus pegou os pães, agradeceu a Deus e distribuiu aos que estavam sentados. Fez a mesma coisa com os peixes. E todos comeram o quanto queriam. Quando ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: ‘Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada.’ Eles recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães que haviam comido. As pessoas viram o sinal que Jesus tinha realizado e disseram: ‘Este é mesmo o Profeta que devia vir ao mundo.’ Mas Jesus percebeu que iam pegá-lo para fazê-lo rei. Então ele se retirou sozinho, de novo, para a montanha.”

Que tal começar o milagre da partilha hoje? É só abrir-se ao poder do coração.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

 

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