Nos 70 anos da Diocese oeirense, o retorno da primitiva Mãe da Vitória

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Uma áurea de latente religiosidade católica envolveu a noosfera oeirense, a partir das 18h do dia 14 de agosto de 2015, onde a urbe mochina acolheu jubilosamente o retorno da imagem primitiva de Nossa Senhora da Vitória, que por mais de quatro décadas esteve em propriedade privada no solo piauiense.

Um misto de alegria, de fé e de espera contagiante aflorou no coração dos católicos oeirenses presentes no momento da chegada da santa no portal Oeiras( sentido Picos), onde ladeada por uma carreata, a mesma foi conduzida ao adro da Velha Matriz, com desvelo pelas mãos da viúva do ex- pároco Sr. Leopoldo Portela Barbosa(Sra. Valdênia Portela), nosso bispo diocesano( Dom Juarez Sousa da Silva), nosso pároco( Pe. João Francisco dos Santos), Pe. João de Deus, o prefeito municipal Lukano Sá, a presidente do IPHAN (Sra. Claudiana Cruz dos Anjos), o promotor de justiça Dr. Carlos Rubem Campos Reis, demais autoridades, devotos e devotas.

Numa cerimônia de singeleza e de rico aroma para-litúrgico, tendo como chefe de cerimonial o Secretário Municipal de Cultura, o Prof. Stefano Ferreira, a Virgem da Vitória foi recepcionada pelas falas das  seguintes autoridades: Valdênia Portela, Dom Juarez Sousa, Lukano Sá, Claudiana Cruz dos Anjos e Fábio  Nunes Novo( Secretário Estadual de Cultura), na oportunidade representando o Governador do Estado do Piauí( Exmo. Sr.Welligton Dias).

A posteriori, houve a reentronização da imagem, com canto sacro ‘’Te Deum’’ e celebração da nona noite (dedicada à catedral) e em preparação para a missa festiva em honra a padroeira da nossa terra e do nosso estado, onde a musicalidade do Coral Madrigal, da Banda Santa Cecília, dos Grupos Bandolins e Novos Bandolins, encantavam o espírito de todos os fiéis presentes.

Ao término da santa missa, a imagem adentrou ao templo sagrado piauiense mais antigo, onde ovacionada por aplausos e orações, foi colocada em nicho de vidro, para louvores e visitações.

É salutar destacar a nobre presença do Conselho Estadual de Cultura do Piauí, nas pessoas dos conselheiros: Dora Parentes (representando o Presidente Manoel Paulo Nunes), Cineas Santos, Mestre Severo e Severino, que realizou no mesmo dia sessão extraordinária na Capital da Fé, aludindo a importância deste feito histórico-religioso.

A praça e a igreja tornaram-se pequenas, diante de tantos cristãos atentos a grandiosidade histórica do momento de retorno deste rico patrimônio i (material) do estado do Piauí (a imagem primitiva de Nossa Senhora da Vitória), que aportou em terras mafrensinas no século XVII, pelas mãos dos padres Thomé de Carvalho da Silva e Miguel de Carvalho, sendo trazida de Olinda, sede da Diocese a que, então, pertencia da qual era titular D. Frei Francisco de Lima, precursor da nova freguesia.

Os sinos tocavam quase que falando e/ou cantando: Viva Nossa Senhora da Vitória! Sede sempre nossa luz e amparo!

Inúmeros fiéis católicos se aproximando da imagem, para tocá-la, fotografá-la, render-lhe graças, louvores, cantos, agradecimentos, pedidos, orações. Corrobora Dagoberto Carvalho Jr, em artigo na revista nº 02 do IHO, que ‘’com certeza terá sido a imagem de Nossa Senhora da Vitória, orago da seiscentista freguesia que a mesma Senhora se erigiu nos Sertões do Piauí, a 1ª imagem que viram ditos sertões. Melhor dizendo, terá sido esta a primeira imagem sacra a tão remotas paragens vinda para ficar. Que outras, antes, as tenham cruzado em audazes missões de fé, não se duvida ser a invocação de Nossa Senhora da futura Vila da Mocha, a mais remota do Piauí. Remota cronológica e geograficamente, pois que criada em fins de 1696 e instalada já em 2 de março de 1697 com Capela, paramentos e alfaias em sítio de que só então se daria notícia escrita, teve dedução lógica entronizada naquele 2 de março sua imagem padroeira’’.

Desta feita, a imagem retorna para sua terra mãe, berço da civilização piauiense, volta para ser vitória da história do povo oeirense, pois, como descreve seu hino: ‘’Vós sois deste templo, com prazer e glória!‘’

É gratificante discorrer a profícua iniciativa do Instituto Histórico de Oeiras ( sob a presidência  da profa. Socorro Barros), no ano de 2014, quando escreveu em 20 de agosto  uma carta a Sra. Valdênia Portela( guardiã da peça sacra em terras teresinenses) enfatizando a necessidade do resgate da mesma para a terra dos sertões de dentro, bem como, a luta ingente do Ministério Público( na pessoa do Dr. Carlos Rubem Campos Reis), na defesa da revitalização da raiz primeira de nossa história.

Segue os nossos agradecimentos ao IPHAN pelo trabalho de revitalização desta peça sacra, aos historiadores Dagoberto C. Jr e Júnior Viana por serem arautos do reconhecimento da devolução da imagem, ao bispo Dom Juarez Sousa e ao Pe. João de Deus pela diplomacia, acolhimento e serenidade frente a resolução deste feito, e  todos aqueles  que permaneceram no anonimato, mas, que muito contribuíram na realização deste dia memorável. A Sra.Valdênia Portela, a nossa estima pelo zelo dispensado à imagem e pela compreensão do retorno ao chão  da célula máter piauiense.

Em suma, ‘’as cidades tem almas’’, carecem da força e do entusiasmo do seu povo frente à preservação de sua herança cultural.

Neste sentido, no ano em que comemoramos o jubileu da diocese, celebramos com altivez a feliz e harmoniosa presença da primitiva Mãe Vitoriana (que para nosso regozijo, fixará morada definitiva, no Museu de Arte Sacra), para fazer valer ‘’ o começo da nossa história e as vitórias que hão de vir.’’

Profa. Rita de Cássia Neiva Santos Gama (Presidente do Instituto Histórico de Oeiras-Pi, biênio 2015-2016).

 

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