Não nos deixemos instrumentalizar

Compartilhe:

As profissões ganham projeção e notoriedade pela conjunção entre talento e competência técnica. E, é claro que, toda empresa quer, nos seus quadros, profissionais com esse perfil e desenvoltura porque, isso garante a produção de bens e serviço e a competitividade necessária para se manter no mercado. Logo, o investimento em salários é uma forma de manter o alto nível e padrão deste tipo de mão de obra tão especulada. Talento e competência técnica garantem, mas, não bancam, sozinhos, a vida de uma empresa, pois, não basta produzir. Para se consolidar, com eficiência, a empresa precisará manter um bom índice de satisfação e consumo, por parte dos clientes e uma permanente motivação para o trabalho e a produção, por parte dos trabalhadores. Sendo assim, para manter os índices de satisfação e consumo dos clientes, investe em pesquisa, aprimoramentos, novidades, propaganda e marketing. Para assegurar motivação ao trabalho e à produção, investe em formação, qualificação, plano de carreira, promoções e novas relações de trabalho.

A palavra de ordem, hoje, para as empresas ‘de visão’, é a humanização dos processos e dos meios de produção. Poderíamos nos perguntar: ‘o capitalismo moderno estaria mais humano?’ Não! Pelo contrário! O modus de produção capitalista não mudou e não mudará. A grande mudança, na verdade, é apenas uma adequação utilitarista dos valores em voga ou das tendências em voga. A humanização, no capitalismo, não é uma opção de fé ou convicção religiosa. É uma ideologia de mercado com o propósito de expansão mercantilista. O que não consegue eliminar, o capitalismo toma como seu.

Embora o capitalismo engendre a sua própria contradição com a possibilidade de autodestruir-se, acaba invertendo as situações em seu favor. A vertente racionalista, mecanicista e materialista do capitalismo ocidental encheu o mundo de coisas e o esvaziou de ser; foi secando a alma das pessoas. Criou um mundo de insatisfeitos e doentes existenciais, como subproduto desta contradição. É verdade que a história tem um farto registro dos profetas e iconoclastas do capitalismo: cantores, poetas, associações, movimentos populares, partidos políticos… Mas, aos que não conseguiu combater ou demonizar, o capitalismo englobou ou absorveu.

O que aconteceu com o movimento hippie é um exemplo bem claro disto: o jeans, o rock in rool etc, que eram elementos de contestação, foram absorvidos como produtos de consumo.

A religião e a prática religiosa, nem sempre, gozou de prestígio e consideração, no mundo capitalista. Sempre foi um problema para a efetivação das ideias e ideais capitalistas. A não ser, é claro, pela ética e pelo modus individualista da nova religião, segundo a perspectiva sociológica de Max Weber.

O homem e a mulher do nosso tempo é um remanescente do extremo. Está tentando sair da vertente racionalista, mecanicista e materialista do capitalismo ocidental que, encheu o mundo de coisas e o esvaziou de ser, e, está entrando, de sola, na vertente hedonista, prazenteira, consumista, imediatista, sentimentalista e emocional.

Esta ‘nova sensibilidade’, ou, simplesmente, este novo extremo, instrumentalizado pelo capitalismo, está levando à mercantilização da fé, da religião e, por certo, de tudo o que proporciona acesso ao emocional, ao afetivo, ao sentimental e ao prazer etc.

É evidente que, nem tudo é instrumentalização e o cristão não é, simplesmente, um consumidor. Embora esteja no mundo e passível de instrumentalização, o cristão pertence a Cristo; é ovelha de Cristo que, é seu pastor. Nesse sentido, o cristão precisará se redescobrir, neste mundo de extremos, como discípulo missionário, para manter-se completo e plenamente realizado pela compaixão deste bom pastor, conforme o evangelho anuncia: “Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar muitas coisas para eles” (Mc 6,34).

Não nos deixemos instrumentalizar! Somos fermento e, não, apenas, massa!

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

 

Posts Relacionados

ANO
JUBILAR

AMIGOS DO
SEMINÁRIO

ESCOLA
MISSIONÁRIA
DISCÍPULOS DE
EMAÚS - EMIDE

Facebook

Instagram

Últimos Posts