MOMENTO PRESENTE (texto a partir do Livro: Testemunhas da Esperança de François X. N. Van Thuan)

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O grande teólogo ortodoxo Evdokimov escreve:

“Movido por uma estranha alienação, o homem deste mundo vive no passado, nas suas recordações ou na espera do que vai lhe acontecer; quanto ao momento presente, ele procura fugir deste, exercita seu espírito de criatividade para melhor ‘matar o tempo’. Este homem não vive o aqui e agora, mas num mundo de fantasias do qual não se dá conta (…). O passado e o futuro, na sua deslocação abstrata, são inexistentes e não têm acesso à eternidade; esta última converge unicamente para o momento presente e não se doa a não ser a quem se faz totalmente presente naquele momento. É unicamente nesses instantes que se pode atingir a eternidade e viver na imagem do eterno presente”.

É no presente que se inicia a aventura da esperança. Este e o único tempo que temos em nossas mãos. O passado já se foi, o futuro não sabemos se existirá. A nossa riqueza é o presente. Viver o presente é a regra dos nossos tempos. Nos ritmos frenéticos de nossa época, é preciso parar no momento presente: é a única chance de “viver” realmente e introduzir, desde já, a nossa vida terrena na direção da vida eterna.

No Evangelho, Jesus exorta-nos sempre a viver o presente. Ele faz com que peçamos ao Pai o pão só para “hoje” e nos lembra que basta o afã de “cada dia” (Mt 6,34). Ele nos interpela a cada instante. E ao mesmo tempo doa-nos tudo. Na cruz, ao ladrão que lhe pede: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino”, ele responde: “Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,42-43). Na palavra “hoje” está concentrado todo o perdão, o amor de Jesus.

São Paulo acentua ao máximo a identificação com Cristo a todo instante, aponto de criar uma nova terminologia muito expressiva: “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20), “fomos sepultados com ele” (Rm 6,4; Cl 2,12); se com ele morremos, com ele viveremos” (2Tm 2,11; 2Cor 7,3), “ressuscitaste com Cristo” (Cl 3,1).

Todos os santos e grandes testemunhas do Evangelho concordam que o momento presente é algo importante. Eles vivem unidos a Jesus em todos os instantes de suas vidas, segundo o próprio ideal encarnado em seu ser.

São Paulo da Cruz afirma: “Feliz a pessoa que repousa no seio do Pai sem pensar no futuro, mas procura viver momento por momento em Deus, sem nenhuma outra preocupação a não ser fazer bem a vontade dele em todos os acontecimentos da vida”.

Teresa de Lisieux diz: “A minha vida é um instante, uma hora que passa, é um momento que rapidamente escapa de minhas mãos e se vai. Tu sabes, meu Deus, que para amar-te aqui na terra não tenho outro momento a não ser o dia de hoje”.

Viver intensamente todos os instantes da vida é o segredo para saber viver bem também aquele que será o último. Paulo VI escreveu em ‘Pensiero alla morte’: “Não olhar mais para trás, porém, fazer de bom grado, com simplicidade, humildade e decisão os deveres resultantes das circunstâncias em que me encontro, como tua vontade. Fazer logo. Fazer tudo. Fazer bem. Fazer alegremente o que queres tu de mim agora, ainda que supere imensamente as minhas forças e requeira de mim a vida. Finalmente, (vamos) a este último momento”.

Cada palavra, cada gesto, cada telefonema, cada decisão deve ser a coisa mais bela de nossa vida. Reservemos a todos o nosso amor, o nosso sorriso, sem perder um segundo.

Cada momento de nossa vida seja: o primeiro momento, o único momento e o último momento.

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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