Liturgia Dominical: “As tentações de sempre e de todos”

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Primeiro Domingo da Quaresma

As tentações de sempre e de todos

A narração do Evangelho de hoje (Lc 4,1-13) trata das tentações sofridas por Cristo. Com qual espírito devemos ler esta página? Jesus é o caminho que devemos seguir. Portanto devemos aprofundar o sentido das respostas de Jesus, sabendo que as escolhas de Cristo devem tornar-se nossas escolhas.

Primeiro, diz Lucas: “Jesus foi conduzido pelo Espírito no deserto” (Lc 4,1). Por que o deserto? O deserto é liberdade, é austeridade. O deserto é a experiência da pobreza do homem, que se encontra só diante de Deus. É necessário coragem para escolher o deserto.

Hoje o mundo tem medo do deserto, tem medo do silêncio. No fim das contas a necessidade de barulho é um sintoma de medo, de problemas não resolvidos. Jesus busca o deserto. Mas o que acontece com Jesus no deserto? Ao término de um período de austera penitência Cristo encontra a prova, a tentação. De fato o homem não pode fugir desta realidade: a fé deve ser provada, porque nós temos verdadeiramente a liberdade. Mas quais são as tentações de Jesus? Olhemos atentamente para vermos quais são os riscos da fé, os perigos dos quais os cristãos devem se defender.

Primeira tentação: o demônio propõe transformar pedra em pão. A proposta que ele faz é de que Jesus realize a justiça num passe de mágica, utilizando Deus em benefício próprio. Por quê? Porque ele parte do pressuposto que uma vez assegurado o pão, tudo o mais é assegurado. É a mentalidade materialista segundo a qual tendo o estômago cheio, todo o homem está completamente saciado. Isto é um engano! A lógica de Jesus é diferente: “Está escrito: não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus”.  Para Jesus, a justiça do Reino se constrói mediante a partilha de tudo entre todos.

Segunda tentação: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória… Se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”. Nestas palavras tem o eco do primeiro pecado: não escuteis Deus e sereis como Deus. É a tentação de demolir Deus para divinizar o homem. Resposta de Jesus: “Adorarás ao Senhor teu Deus e só a ele servirás”.

Terceira tentação: “Se és o Filho de Deus! Lança-te daqui abaixo…” O que se esconde por trás deste convite? É a tentação da pressa, da impaciência que ama resultados espetaculares, grandiosos, imediatos. A pressa, certamente, não é a estrada do bem. Nós gostaríamos que o mundo mudasse em poucos dias; que o nosso trabalho tivesse resultados imediatos; que os nossos sacrifícios produzissem frutos imediatos. Porém, é necessário esperar. E a espera requer paciência, a paciência requer sacrifício, o sacrifício requer fé. Esta é a estrada de Deus: a estrada da pequena semente.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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