Liturgia Dominical: “Uma semana para iluminar todas as semanas”

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Domingo de Ramos

Uma semana para iluminar todas as semanas

Vivemos o entusiasmo das multidões entrando em Jerusalém; saudamos Cristo como aquele que vem em nome do Senhor e estamos felizes por segui-lo porque ele é o Filho de Deus, é o nosso Salvador.

Porém não esqueçamos o que Jesus disse a Pilatos; “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36). Hoje, claramente vemos o quanto é diverso o Reino de Deus do reino dos homens. O profeta Isaías fala de um personagem de extraordinária humildade e paciência. Ele diz: “Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas”. (Is 50,6). Quem é este? Quem é capaz de tanta bondade? Este não é um simples homem! Jesus é o Filho de Deus, no entanto se fez servo; Jesus é Deus com o Pai, no entanto se fez um de nós, se humilhou tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. É uma história incrível que nos leva a perguntar: Senhor, por quê? Cristo nos responde com a sua Paixão e nos revela quem somos nós e quem é Deus.

Mas qual é a estrada de Cristo? Observemos o seu comportamento. Jesus expulsa satanás, quando este lhe propõe a estrada do poder; Jesus foge quando os homens, depois do milagre dos pães, o querem proclamar rei; Jesus corrige Pedro, quando ele tenta desviá-lo da estrada de Jerusalém e vai decididamente em direção a Jerusalém, em direção à Cruz, porque esta é a estrada de Deus, a estrada do seu triunfo!

E hoje nós olhamos Jesus que entra em Jerusalém: agora está próxima a sua hora. Ele se apresenta humilde, bom, pacífico, aparentemente frágil. Assim Jesus nos ensinou que a grande força do mundo é a bondade. O verdadeiro forte é o homem bom. O verdadeiro forte é aquele que venceu a violência dentro de si. O vencedor é aquele que dá a vida para os outros e não o que tira a vida dos outros.

Na paixão de Jesus identificamos outros personagens que se evidenciam no caminho do Calvário.

Tem Pilatos: um indeciso, porque vazio. Quem é vazio de ideais, facilmente pode condenar… E condenou o Inocente (Jesus). Tem Pedro: um indeciso, porque fraco. A fraqueza é perigosa. É terreno para a traição. E hoje, mais que em outros tempos a fraqueza parece evidente. Tem Judas: um propenso ao mal, porque o orgulho é o câncer da alma, o orgulho é a raiz de cada violência. O orgulho é um mal um tanto quanto difuso. O orgulho é o início do inferno. Tem Maria: uma mulher propensa ao bem, porque é humilde de coração. No cenário da Paixão de Cristo, Maria revela toda a sua grandeza. Tem os sumos sacerdotes: gente que conhecia a escritura bíblica, mas não conhecia o espírito do seu conteúdo. Com qual destes personagens nos identificamos? A paixão de Jesus continua: que personagem somos nós hoje na paixão do Senhor?

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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