Liturgia Dominical: “Uma palavra basta: amar”

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Trigésimo Primeiro Domingo do Tempo Comum

Uma palavra basta: amar

A pergunta que não quer calar na liturgia de hoje é esta: qual é o maior mandamento? De fato, sabemos bem que também na religião tem coisas que são mais importantes e coisas menos importantes; tem aquilo que é essencial e o que é secundário. A mais insidiosa tentação é aquela que nos impulsiona a privilegiar os aspectos exteriores e secundários da religião porque, deste modo, a religião não compromete e não exige nada, enquanto serve para justificar e encobrir tudo.

Mas Jesus esclarece, responde à pergunta e nos diz: “Ouve, ó Israel! Esteja atenta! Procura entender: O Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Nada neste mundo vale tanto quanto Deus. O Senhor é um só. Todos os tesouros do mundo não se equivalem a Deus. “Portanto, ama Deus com tudo o que tens: mente, coração, força”.

Isto é o essencial da religião, a tal ponto que, quem não entende o valor único de Deus, não poderá jamais viver a religião com entusiasmo, com paixão, com empenho. A verdadeira religião decola no momento em que, de uma parte se adverte que Deus e somente Deus é a rocha sobre a qual o homem e a mulher podem apoiar a sua esperança. Este é o momento exato em que se desperta para a santidade.

Isto foi o que aconteceu com São Francisco de Assis: ele verdadeiramente entendeu a preciosidade de Deus e O colocou de fato em primeiro lugar em suas escolhas cotidianas. Enquanto nós, ao contrário, ainda nos deixamos iludir por tantos ídolos que nos atraem: dinheiro, poder, bens materiais, partido político, pessoas, etc. Porém, quando o homem escolhe estes ídolos, ele sofre assustadoramente, porque nenhum bem deste mundo pode substituir Deus.

Como faço para saber se amo a Deus? Evidentemente, não bastam as declarações e nem mesmo as intenções. Deus se ama com os fatos. Quais? Eis o segundo mandamento: amar o próximo. De fato, quem descobre Deus e nele acredita, não poderá e não deverá fechar-se num castelo, mas deve amar o próximo com o amor de Deus. Deus nos espera nos irmãos: eis a grande notícia! Deus é amor e nos pede para amar. E o próximo é o espaço para a nossa caridade de cada dia. Por isso o primeiro e o segundo mandamento andam sempre juntos. Para nós cristãos é impossível amar a Deus sem amar o próximo.

O Apóstolo São João decididamente afirma: “Quem diz que ama Deus, mas odeia o seu irmão, este é um mentiroso. De fato, quem não ama o próprio irmão que vê, não poderá amar Deus que não vê” (I Jo 4,19-20). À luz destas palavras, quantas mentiras existem no confronto com Deus.

Quem é o meu próximo? Esta é, certamente, a pergunta que virá no nosso confronto com Deus. Jesus a responde com a Parábola do Bom Samaritano que não é mencionada no Evangelho de hoje, mas em Lucas 10, 30-30. No seu ensinamento vamos aprender que não são somente os amigos, os parentes, os cristãos, nem somente aqueles que nos fazem o bem ou que nos querem bem. Não! O próximo é cada pessoa a quem eu devo levar o amor e a bondade, independente do merecimento. Quem precisa da minha caridade, seja quem for, este é o meu próximo. Recordemos ainda as palavras de Jesus: “Se amais somente aqueles que vos amam. Que recompensa tereis?” (Mt 5,46).

Um dia, uma mulher necessitada e enferma pergunta a Madre Teresa de Calcutá que amavelmente a socorria: “Por que fazes isto? Quem te ensinou a ser assim tão bondosa?” A Madre responde: “O meu Deus me ensinou”. E a mulher enferma conclui: “Deixa-me conhecer o teu Deus!”.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

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