Liturgia Dominical: “Uma bondade ainda incompreendida”

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Quarto Domingo da Quaresma

Uma bondade ainda incompreendida

O aspecto mais difícil e contrastante de todo o anúncio cristão não é o que chamamos de mistério, mas a afirmação da bondade de Deus. Muitos de nós gostaríamos de ajustar, modificar, instrumentalizar a bondade de Deus. A Bíblia conhece desde as origens esta dificuldade. Conhecemos, por exemplo, a história de Jonas. É um homem mandado para anunciar o castigo a uma cidade corrupta como Nínive. Mas Nínive se converte e Deus imediatamente a perdoa. Jonas reclama e Deus pacientemente procura convencer Jonas a aceitar a bondade de Deus tal como ela é e não como ele (Jonas) quer.

No Evangelho reaparece a mesma situação. Jesus de fato surpreende a todos: faz refeição com os pecadores, defende publicamente uma mulher adúltera, chama para o grupo dos apóstolos um publicano, entra na casa do odiado Zaqueu, bendiz e conforta um ladrão na cruz. É um comportamento muito diferente do comportamento comum, por isso suscita murmuração. Por isso Jesus responde e narra a célebre parábola dos dois filhos. A parábola tem ao centro o pai; em torno do pai se movem os dois filhos.

O primeiro filho exige: “Dá-me a parte que me cabe…”. E o pai não se opõe. O filho foge de casa e o pai, com o coração estraçalhado, permite que se distancie. O filho vai divertir-se de modo banal e o pai permite que dissipe o fruto de tanto suor, cansaço e amor.

O pai que aparentemente parece fraco é na verdade forte e pleno de bondade, que age com grande dignidade. A atitude do pai é um reflexo da bondade de Deus que nunca fecha a porta para os seus.

O filho perde tudo, chega ao fundo do abismo e se dá conta de ter jogado tudo fora de modo estúpido. O que fazer? Ou obstinar-se na sua situação, refutar o retorno, refutar o perdão: este é o inferno. Ou então, se o filho quer, pode fazer o caminho de volta à casa do pai. Então acontece algo que pra nós é difícil entender: acontece a alegria de Deus, que Jesus chama “festa no céu por um pecador arrependido”. A parábola é, portanto, um convite: Se tens pecado, retorna! Se ofendeste até o limite máximo, sabeis que Deus está pronto para recomeçar tudo do começo.

Entra em cena o segundo filho. É o filho escandalizado com a bondade do pai. Parece que este filho tenha razão, no entanto o seu comportamento é ofensivo no confronto com o pai. Este filho embora não tenha fugido de casa, mas o seu coração estava fora de casa porque não pensa e não ama como o seu pai. Este filho é rebelde como o primeiro. Este filho é um problema para o pai, é uma espinha no coração do pai. O Evangelho não diz se o filho escutou a voz do pai. Fica em aberto para que possamos usar a nossa imaginação, colocarmo-nos no lugar do filho e tomarmos a decisão: entrar e fazer parte da festa ou permanecer fora, indiferente ao convite do pai.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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