Liturgia Dominical: “Um Deus escondido, mas não ausente”

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Ascensão do Senhor

Um Deus escondido, mas não ausente

Todos nós gostaríamos se fosse possível, ver Cristo com os nossos olhos. Assim como Tomé, gostaríamos de tocar as suas feridas para nos apoiarmos na segurança da sua presença. Queremos Deus comodamente à nossa disposição para resolver todos os nossos problemas e para caminharmos à Sua sombra. Ao invés, Jesus atravessa os confins e deixa no mundo um grupo de homens, confiando-lhes a missão de anunciar o seu nome e proclamar a sua mensagem a todos os povos: “Ide pelo mundo inteiro…”

A Festa da Ascensão nos faz notar isto. É uma experiência semelhante ao que acontece com cada criança, quando a mãe improvisamente larga seus braços e a deixa caminhar sozinha. De fato com a Ascensão de Jesus nasce a missão da Igreja. Ressoa a hora do nosso comprometimento, do nosso empenho.

“Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu”? (At 1,11). Corajosas palavras que proíbem um comportamento: a preguiça, a inércia.

“Recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria e até nos confins da terra”  (At 1,8). Palavras decisivas. Cristo nos quer adultos, nos quer corajosos e nos quer como seus colaboradores. Meditemos quanto é imensa a coragem de Deus, esta confiança que ele deposita nos homens.

Como podemos ser apóstolos de Cristo? Como podemos anunciar a Boa Notícia, a única Boa Notícia? Seguindo o Mestre, ou seja, vivendo como o Mestre. O apostolado coincide com a vida do próprio apóstolo. “És cristão não por aquilo que dizes, mas por aquilo que fazes”, já dizia Dom Hélder Câmara. Portanto eu não devo pregar o Reino de Deus, eu devo ser no Reino de Deus. Eu não devo somente pregar a paz, eu devo ser pacífico! Eu não devo somente pregar a justiça, eu devo ser justo! Eu não devo somente pregar a esperança, eu devo esperar! O mundo deve descobrir o cristianismo vivido pelos cristãos. O cristão deve causar admiração. É assim, somente assim que o cristão é sal da terra e luz do mundo.

A Ascensão de Jesus ao Céu é também um convite a olhar do alto; a olhar além das coisas. “Vi um novo céu e uma nova terra”, exclama São João. Assim também nós devemos dizer. O nosso apostolado é o início de um Reino, o início de uma vida que continua pela eternidade. O nosso empenho, o nosso testemunho de pobreza, de justiça e de caridade tem um senso como avisos de eternidade, como anúncio de um mundo novo que nós em Cristo prevemos, em Cristo cremos, em Cristo antecipamos: com a vida da Igreja, com a nossa vida!

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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