Liturgia Dominical: “Todos somos ligados ao “sim” da anunciação”

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Quarto Domingo do Advento

Todos somos ligados ao “sim” da anunciação

Há mais de dois mil anos em Belém da Judéia nasceu o Messias prometido por Deus. Ele foi esperado por quase dois milênios por um povo prodigiosamente guiado por Deus. O fato é verificável e é humanamente inexplicável. Para este Messias convergem todos os testemunhos das Escrituras e, neste Messias Deus apoiou toda a história humana. O seu nome é Jesus. Ele se apresentou como o Filho de Deus que despertava a crença na sua Palavra e na força das obras que ele realizava. E nós cremos nele, porque sem Ele tudo é absurdo e opaco. Neste domingo queremos definir as atitudes justas para poder repensar o Seu Natal. E não podemos encontrar um caminho melhor do que aquele de Maria: porque é o caminho que Deus mesmo escolheu para vir a nós.

Maria de Nazaré, de fato, é a criatura ideal aos olhos de Deus. Ela espera no silêncio de Nazaré. Ela é uma mulher reservada, atenta a ler a vida com profundidade, serena, aberta ao mistério.

E nós? Hoje quem revive o recolhimento de Nazaré? Quem busca espaços de desertos para estar com Deus? Quem possui um coração em paz, serenamente agregado à seguranza da bondade de Deus? Quem é atento aos sinais da vontade de Deus nos acontecimentos de cada dia?

Entre a primeira leitura e o Evangelho tem um espaço de mil anos. A primeira leitura nos apresenta Natã que fala a Davi em nome de Deus e diz: “Eu farei para ti uma casa: o teu trono será estável para sempre”. Israel leu esta profecia em senso messiânico e maturou a certeza de que de Davi nasceria o Messias.

Maria conhecia esta escritura. De fato, bastaram poucas referências da parte do anjo para fazê-la entender tudo o que estava acontecendo. Não pensemos que ela era ingênua.

Ela pergunta ao anjo: “Como acontecerá isto se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34). Esta pergunta não nasce da dúvida, nem da vontade de ver tudo claro: nasce somente do desejo de entender a vontade de Deus para segui-la.

Maria é surpreendente. É modelo para nós. Quantas vezes nós somos fracos na fé, damos um passo à frente e dois para trás. Quantas vezes a dúvida atrapalha o nosso caminho de fé e nos impede de sentir a paz na vontade de Deus! Quantas vezes seguimos a vontade de Deus somente quando coincide com a nossa vontade. Temos muito que aprender com Maria.

Maria é, enfim, consciente da sua pequenez: não por falsa humildade, mas porque ela tem consciência lúcida da incapacidade humana diante da salvação. Ela sabe que só Deus pode dar a alegria: por um dom livre e gratuito, nunca merecido por ninguém. Por isso responde ao anjo: “Eis-me! Sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a sua Palavra!” (Lc 1,38).

 

Dom Edison Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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