Liturgia Dominical: “Para encontrar Deus devemos colocar o avental e servir”

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XXIX Domingo do Tempo Comum

Para encontrar Deus devemos colocar o avental e servir

O Evangelho de hoje nos faz perceber o quanto é distante a sabedoria de Deus e a sabedoria dos homens. Jesus provoca uma reviravolta em nossas vidas de modo que o que parece importante torna-se insignificante, enquanto coisas que antes pareciam insignificantes tornam-se fundamentais e desejo para a alma. É o milagre da conversão.

Tiago e João fazem um pedido a Jesus: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na glória!” (Mc 10,37). Pelo pedido feito se intui imediatamente que os dois apóstolos ainda não haviam entendido nada da sabedoria de Deus. Eles crêem no Senhor, mas crêem de modo errado. Não é justo comportar-se assim: crer significa renunciar a pensar do nosso modo para chegar a pensar e avaliar como pensa e como avalia Deus. O erro dos dois apóstolos é uma advertência para nós. Não basta rezar. É necessário que em nossas orações haja o respiro da verdadeira fé. Assim, a primeira oração nossa deve ser esta: “Senhor, ajuda-me a fazer a tua vontade, mesmo quando não a entendo, mesmo quando me parece dura e difícil. Senhor separa-me das coisas que não contam e conduz-me na estrada da felicidade, que tu conheces melhor que eu”.

E qual é esta estrada? Certamente não é aquela de viver correndo atrás do prestígio e do poder; não é aquele de querer ter de modo desenfreado e irresponsável. Jesus rir de tudo isso, porque sabe que não vale nada. Todas as ambições humanas não ultrapassam os portões dos cemitérios. Por que não entendemos isto?

Jesus responde: “Vós não sabeis o que pedis” (Mc 10,37). E os provoca com uma pergunta mais profunda: “Podeis beber do cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo que eu vou ser batizado?” (Mc 10,38). Os dois apóstolos ainda eram imaturos para entenderem este discurso; ainda tratavam Deus com preocupações completamente estranhas à lógica de Deus.

Jesus é obrigado a precisar o seu pensamento e colocar diante dos apóstolos dois caminhos: aquele que conduz a Deus e aquele que distancia de Deus. A intenção de Jesus é clara: ele quer recordar que na vida todos devemos fazer uma escolha. Qual? Escutemos Jesus: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós não deve ser assim: quem quiser ser grande seja o vosso servo” (Mc 10,42s). O mundo é sedento de poder. Jesus apresenta a humildade como alternativa para substituir o orgulho. Eis o caminho que conduz a Deus: o serviço. Eis a verdadeira grandeza dos discípulos de Jesus: Tornar-se pequeno, doando-se inteiramente como fez o Mestre. É um caminho difícil e estreito, mas é o caminho da verdadeira felicidade.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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