Liturgia Dominical: “O zelo por tua casa me consumirá”

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Terceiro Domingo da Quaresma

O zelo por tua casa me consumirá

No Evangelho deste domingo há um elemento que chama a atenção de todos nós que somos discípulos missionários de Jesus. Encontramos um Jesus severo, polêmico, duro em relação àqueles que frequentam o templo, em relação àqueles que observam o sábado, em relação àqueles que têm uma prática religiosa. Jesus de fato chega a colocar em crise a “paz” do templo de Jerusalém. Ele provoca uma revolução naquele lugar.  É um episódio que causa grande impacto e que é narrado por todos os quatro evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João). Como se deram as coisas?

Jesus subiu a Jerusalém para a festa da Páscoa. Junto ao povo Ele entrou no templo que era o coração da vida religiosa hebraica. Era o lugar do encontro e da oração. O que encontrou? Um verdadeiro comércio, um mercado que ofendia o significado do templo e, portanto, ofendia a Deus. Ele pegou um chicote, expulsou os vendedores, derrubou as mesas dos cambistas e gritou diante de todos: “Tirai isso daqui! Não façais da casa do meu Pai uma casa de comércio!” (Jo 2,16).

Por quê? Por que esta dureza da parte de Jesus com aqueles que crêem, quando com Zaqueu o publicano, com a mulher pecadora, com o leproso, com a mulher adúltera e tantos outros Ele foi compassivo e misericordioso? Penso que em Lucas encontramos esta resposta: “A quem mais foi dado, mais será exigido” (Lc 12,48).

O episódio do templo é uma condenação aberta a cada tentativa de ganhar “nas costas” de Deus e a cada tentativa de transformar a religião em um fácil comércio. Assim, nós somos alertados para sermos vigilantes e evitarmos cair em tal situação.

Tem mais! Jesus que em outras situações se declarou manso e humilde de coração, improvisamente assume um comportamento forte para recordar-nos que o amor pelo próximo não deve ser confundido com a conivência com o erro e com o permissivismo.

Podemos aplicar esta reflexão ao problema da educação dos filhos. Não ama os filhos quem os protege de todos os seus caprichos; não ama os filhos quem não intervém para mostrar-lhes os verdadeiros valores da vida. Quantos equívocos os pais cometem por não serem capazes de dizerem “não” aos filhos. Por não ensinarem aos filhos que na vida existem regras e limites. Lembremo-nos: Corrigir e intervir são atos de amor. Atitudes desta natureza expressam o verdadeiro amor.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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