Liturgia Dominical: “Não confundamos a alegria com os prazeres”

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Terceiro Domingo do Advento

As leituras de hoje são atravessadas pelo tema da esperança e da consolação. Todos nós temos necessidade de esperança e de consolação. Mas qual esperança é válida? Qual é verdadeira e não é uma ilusão?

Devemos admitir que hoje muitas ilusões estão se esvaindo, enquanto retorna a atenção a valores que vinham sendo descartados. Muitas pessoas redescobrem o fascínio da família fiel e unida; muitas pessoas redescobrem a beleza do serviço aos pobres, aos humildes, aos marginalizados.

O que diz a Bíblia a respeito da esperança? Responde o profeta na primeira leitura: “Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus” (Is 61,10). A alegria verdadeira é Deus, porque só Ele é infinito e o coração humano é sintonizado no infinito: por este motivo nenhuma experiência mundana nos satisfaz plenamente. Na verdade, nenhuma felicidade é duradoura se não se apoia sobre Deus; e nenhuma dor é insuportável quando Deus é colocado no centro da vida. De fato, o homem é chamado a amar Deus com todo o coração, porque só assim será livre, feliz, aberto ao dom da vida.

Até que ponto existe dentro de nós o otimismo da fé que ilumina o juízo sobre cada acontecimento da vida?

Façamos uma visita ao Evangelho. O Evangelho nos ensina qual é a atitude que permite sentir Deus e reconhecê-lo em Cristo.

João é interrogado: Quem és tu? A vida de cada um, de fato faz nascer interrogações. Quais são as interrogações que nós suscitamos com os nossos comportamentos?

João responde: Eu não sou o Cristo! Nesta resposta tem toda a grandeza do homem. João é consciente de ser um mendicante indigno de desamarrar as sandálias do Mestre.

João vê a luz, a indica aos outros, mas permanece humilde para não perder a luz. Ele é abandonado pelos seus discípulos que passam a seguir Cristo: momento terrível, momento de análise da maturidade do seu coração. E ele supera a prova maravilhosamente. Por quê? Porque ele é forte na fé e, ao mesmo tempo, é humilde quando fala de si mesmo. João nos ensina que somente o humilde consegue aceitar a salvação vinda de Outro. E somente o humilde consegue falar de Cristo sem apagá-lo com o próprio orgulho. A esterilidade e ineficácia de tantos grupos de nossa Igreja não será pelo fato de não nascer de Cristo e por não conduzir a ele? Reflitamos bem.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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