Liturgia Dominical: “Mestre, que eu veja!”

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XXX Domingo do Tempo Comum

Mestre, que eu veja!

A narração do Evangelho de hoje trata da história de um cego: “O Filho de Timeu, cego e mendigo, Bartimeu, estava sentado à beira do caminho” (Mc 10,46). Bartimeu era um homem como tantos desprezados deste mundo. Bartimeu representa todas as desgraças da vida humana e, sobretudo representa a condição de cada homem. Quem somos nós? Somos todos pobres mendicantes que buscamos e que esperamos no Senhor. O que esperamos? Às vezes nem mesmo sabemos. Porém todos esperamos um amanhã mais belo, um futuro melhor, uma ocasião extraordinária. O homem foi criado assim, para se dar conta da sua pobreza e da sua miséria. Pobre de que?

Continua o Evangelho: “Quando ouviu dizer que Jesus, O Nazareno, estava passando, começou a gritar: Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!” (Mc 10,47). Este cego individualizou a sua pobreza e teve a força de gritar para transformá-la em oração. Este cego, por esta atitude de reconhecer-se pobre e necessitado diante do Senhor, tornou-se um dos homens mais ricos do mundo: um homem que encontrou Deus. Vejamos que o cego inicialmente não pede nada: somente se entrega ao Senhor que passa; se entrega à sua piedade, porque reconheceu em Jesus uma bondade que merece toda a fé.

Qual foi a reação daquela gente que cercava Jesus? Diz o Evangelho: “Muitos o repreendiam para que ele se calasse” (Mc 10,48). Estranho, não? Mas é assim que acontece ainda hoje. Quantos obstáculos que surgem enquanto percorremos o caminho que conduz a Jesus. Quantas pessoas que poderiam colaborar e possibilitar este encontro, mas nem sempre isto acontece. No entanto, Jesus parou e disse: “Chamai-o! Eles o chamaram e disseram: Coragem, levanta-te, Jesus te chama” (Mc 10,49). Jesus para diante do cego, porque Deus não resiste ao grito dos humildes. Ao cego de Jericó Jesus disse: “Vai, a tua fé te salvou” (Mc 10,52). O cego recuperou a vista e passou a seguir Jesus. Na verdade este cego começou a enxergar antes da cura dos seus olhos. O milagre foi somente um sinal pra premiar a sua fé e para provocar a incredulidade dos outros.

Um homem chamado Pedro havia perdido uma mão e ficou cego para sempre em uma explosão de uma mina. O seu testemunho nos permite enxergarmos a vida de um modo diferente. Dizia ele, serenamente a um sacerdote: “Reze pelos meus filhos porque crêem pouco: são cegos! Sim, não vejo como vós, mas vejo aquilo que mais me conta”. O comportamento deste homem nos leva a refletir sobre a cegueira mais grave que existe: a cegueira daqueles que não vêm o Senhor e não sabem ler o livro da vida.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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