Liturgia Dominical: “João, um homem coerente e corajoso”

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Segundo Domingo do Advento

João: um homem coerente e corajoso

João Batista se apresenta como “uma voz que clama no deserto”. Parece uma definição paradoxal, desencorajante. Pra que serve gritar no deserto? No entanto João se apresenta assim e não se desencoraja. De fato, ele se sente feliz pelo bem que faz e não pelas respostas que lhe dão. Apliquemos a nós a situação de João. Nós cristãos às vezes não nos sentimos uma voz que grita no deserto? Aqui João nos ensina que não devemos nos preocupar com os frutos. Devemos, ao invés, nos preocuparmos de estarmos com Cristo e de viver com ele. Assim, mesmo o deserto florirá porque se estamos com Deus, inevitavelmente portaremos uma força de renovação no mundo.

“Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”. Estas palavras são plenas de sabedoria. Precisamos preparar os caminhos do Senhor porque a via de Deus é obstruída, cheia de obstáculos: com os nossos pecados elevamos um muro entre nós e Deus.

É preciso podar os precipícios da vaidade, do vazio que todos nós carregamos; É preciso baixar os montes da presunção, do orgulho, da auto-suficiência: “montes” que todos, infelizmente, bem conhecemos. Então Deus poderá passar e acontecerá o encontro. Será um momento maravilhoso em que despontarão as flores do jardim da vida. Não é fácil descrever a emoção trasbordante de uma conversão.

O Evangelho de Mateus continua apresentando as características de João Batista: “Usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhoto e mel do campo” (3,4). João vive e anuncia aquilo que vive. Está aqui a sua grandeza. Está aqui o segredo do seu fascínio. Ele não se limita a indicar a estrada justa. Ele caminha sobre a estrada justa e convida os outros a caminharem com ele. A coerência justifica a coragem e o faz profeta.

De fato, o que faz João? Vendo muitos fariseus e saduceus buscando o batismo, lhes disse: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão. Não penseis que basta dizer: Abraão é nosso Pai…” (3,7-9). João fala claro e torna-se severo, sobretudo com aqueles que têm a presunção de serem “religiosos” só através de praticas tradicionais. João recorda a todos que a religião se não é vida é falsidade. De fato, nos justificamos diante de Deus, não pelo que dizemos, mas, por aquilo que fazemos. A Deus não enganamos porque Ele ler o nosso coração. João recorda aos fariseus, aos saduceus e também a nós, que os dons de Deus não são privilégios, mas responsabilidade.

Finalmente João deixa claro que a sua missão é conduzir as pessoas a Cristo: “Depois de mim vem um que é mais forte que eu. Eu nem sou digno de carregar as suas sandálias” (Mc 1,7). É na direção de Cristo que devemos caminhar. E é este mesmo caminho que devemos apresentar aos que vêm em nossa direção.

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

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