Liturgia Dominical: ” Fazer a vontade de Deus deve ser a nossa prática”

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X domingo do Tempo Comum

“Fazer a vontade de Deus deve ser a nossa prática”

Jesus continua a percorrer o espaço geográfico da Galileia e a cumprir a sua missão de anunciar o “Reino”. Começa, no entanto, a crescer a onda de contestação à sua pregação. Tomando como pretexto alguns casos particulares cada vez mais insignificantes, os líderes judaicos manifestam a sua firme oposição à novidade do “Reino”. As polêmicas e controvérsias marcam esta fase da caminhada de Jesus.
De uma forma geral, Marcos narra as controvérsias seguindo um esquema fixo e sempre igual: começa com a apresentação da questão, continua com a discussão e termina com um “dito” final de Jesus. Este “dito” não oferece a mera solução do “caso” em questão, mas é sempre uma auto revelação de Jesus, de importância decisiva para a comunidade cristã do tempo de Marcos e de todos os tempos.

Toda a cena se passa numa “casa”. Que casa é essa? É uma casa onde Jesus está a pregar a Palavra e é uma casa onde “de novo acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer”. É também uma casa onde estão instalados alguns especialistas da Lei (escribas). A “casa” onde Jesus prega, onde se congrega a comunidade judaica e onde há escribas instalados, poderia ser uma figura da sinagoga, entendida como assembleia do Povo de Deus. Em qualquer caso, a “casa” representa essa comunidade judaica a quem Jesus dirige a pregação do “Reino”.

A mensagem bíblica de hoje apresenta três diálogos de Jesus: dois com os seus familiares, no princípio e no fim, e outro com os escribas, no meio.
Fixemo-nos nos familiares de Jesus. Diz-se que vão a Cafarnaum para levar Jesus desta casa onde está para a sua casa em Nazaré. Muitas são as razões: muito tempo fora da família, notícias contraditórias sobre a sua atividade, mensagem em contraste com a doutrina oficial dos escribas e fariseus, contato com os pecadores de quem é amigo, não seguimento da tradição dos antigos nem respeito pelo sábado; enfim, Jesus é considerado louco e herético. A intenção principal é reconduzi-lo ao caminho reto de um autêntico judeu.

Há os que ficam de fora e os que estão dentro. Imagem atualíssima para nós hoje. Podemos andar por fora, arredios, ficar à porta, até nos chamarmos “católicos não praticantes”. Que significa isso? Faz sentido? Ou é ou não é. Aí está de novo a radicalidade da opção por Jesus. Ou ficamos fora, ou estamos dentro da casa, unidos a Jesus, a escutá-lo e a segui-lo com todo o nosso ser, com todo o nosso coração.

Na caminhada da fé, cada um é livre de optar pela família que quiser: ou ficar pelas famílias que se dispersam do sentido da vida, ou permanecer na única família de Jesus, aquela que é centrada em fazer a vontade de Deus.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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