Liturgia Dominical: “Eu Te louvo, ó Pai… Porque revelastes estas coisas aos pequeninos!

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XIV Domingo do Tempo Comum
Eu Te louvo, ó Pai… porque revelastes estas coisas aos pequeninos!
Na liturgia de hoje Jesus se dirige ao Pai e o louva por aquelas pessoas humildes e simples que foram capazes de acolher o seu Evangelho. Na verdade somente quem vive na simplicidade é capaz de acolher o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e colocá-lo em prática.
Deus é humilde! Quanto a isto não devemos ter dúvidas. E a humildade não consiste principalmente no ser pequeno, porque alguém pode ser pequeno e arrogante ao mesmo tempo. Nem consiste tão pouco no sentir-se pequeno e sem valor, porque este pode nascer de um complexo de inferioridade. Não consiste nem mesmo no declarar-se pequeno, porque muitos declaram de não valerem nada, sem, portanto acreditar de fato no que dizem.
A humildade consiste essencialmente no fazer-se pequeno: esta é a humildade de Deus. Deus, Altíssimo e Onipotente, é Aquele que desce, é Aquele que ama descer e fazer-se pequeno para doar-se aos homens no abraço de um infinito amor.
A humildade nasce do amor. Por que Deus é humilde? No que é possível à nossa pequenina inteligência, podemos chegar a colher a raiz profunda da humildade de Deus? Pode-nos ajudar uma afirmação nítida da Escritura: “Deus é Amor” (I Jo 4,8.16).
Mas o que é o amor? O amor, na sua verdade divina, é dom gratuito de si: Deus, portanto, justamente porque é Amor, é um mistério do Dom Infinito. Por isso João pode escrever: “Deus amou tanto o mundo a ponto de dar o seu Filho unigênito, para que quem nele crê não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). E São Paulo acrescenta: “Cristo me amou e se deu a si mesmo por mim” (Gal 2,20).
Procuremos refletir sobre estas indiscutíveis afirmações da Revelação: Deus é amor, mas o Amor é Dom. Deus, então, é dom infinito de si; mas se Deus é dom infinito de si, Deus não pode conhecer nenhuma forma de egoísmo. Deus somente doa; e no confronto com os homens, Deus pode doar somente fazendo-se pequeno e descendo na nossa pobre história para completá-la com o mistério do Seu Amor.
Se este é o mistério íntimo de Deus, nós podemos encontrar Deus somente aproximando-nos da Sua humildade. Nós devemos descer (e temos mil motivos para isto) e, ao descer, teremos a surpresa de encontrar Deus, porque Deus é humildade!
Charles de Foucauld chegou a exclamar: “Meu Deus, um tempo eu acreditava que para chegar a Ti fosse necessário subir. Agora eu entendi que é necessário descer: descer na humildade!”.
É uma viagem que todos somos chamados a fazer. Vale a pena, porque se trata de encontrar Deus!

Dom Edilson Soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras

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