Liturgia Dominical: “Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias”

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Terceiro Domingo do Advento

Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias

No Evangelho de hoje João Batista é o protagonista da história. Nós podemos considerá-lo o homem do Advento. O homem que nos ensina a viver a espera de Cristo em cada tempo. Ele com a sua vida provoca na gente uma pergunta: “O que devemos fazer?” É a missão de cada cristão: provocar perguntas, suscitar interrogações, inquietar as consciências para abrir-lhes a Cristo.

Com a nossa vida nós devemos aproximar as pessoas de Deus. Quanta gente é triste porque eu, enquanto cristão, não faço pensar Cristo. O Advento nos faz descobrir as nossas responsabilidades.

João Batista nos diz como devemos viver o Advento. Perguntam-lhe: “O que devemos fazer?”. Ele responde: “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem; e quem tiver comida faça o mesmo!” (Lc 3,11). A primeira conversão é, portanto, nos libertarmos do materialismo que nos circunda. Não vivamos para acumular as coisas, mas transformemos as coisas em dom. O objetivo da vida não é acumular, mas dividir, doar, viver para os outros: a caridade é o verdadeiro tesouro do homem.

Nós cristãos somos os primeiros chamados à conversão. E devemos construir a família sobre a vontade de fazer da vida o tempo do dom, o tempo do bem, o tempo do sacrifício.

Os cobradores de impostos  interrogam João e ele responde: “Não cobreis mais do que foi estabelecido” (Lc 3,13). O publicano ou cobrador de impostos exercitava uma profissão na qual o egoísmo facilmente podia prevalecer. Eis um novo momento de conversão; uma nova interrogação para a consciência de quem sente o Advento.

Perguntemo-nos: O meu trabalho é envenenado de um egoísmo absurdo ou é fruto da minha fé? Sou cristão também no trabalho ou fora da Igreja sou um como os outros? Vale a pena destacar que João Batista não sugere de irmos ao deserto (como ele fez), mas pede a cada um de permanecermos em nossos devidos lugares com um espírito novo. Quanto é belo e quanto é sábio este conselho! Devemos viver a fé onde a Providência nos colocou. Portanto, honestidade, pontualidade, diligência, gentileza, humildade, fidelidade e capacidade de perdão, generosidade, devem brilhar no trabalho do cristão.

Enfim, a última reposta dada por João a um grupo de soldados: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!” (Lc 3,14). Aqui também a prédica de João é a libertação do egoísmo e propõe a mansidão como nova força. Não existe situação na qual não se possa santificar. O mais brilhante deste Evangelho é que João Batista, depois do seu ensinamento, se exposta humildemente para ceder lugar a Cristo: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu” (Lc 3,16). O apóstolo não deve substituir Cristo, mas deve conduzir a Ele.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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