Liturgia Dominical: “És tu aquele que há de vir?”

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Terceiro Domingo do Advento

És tu aquele que há de vir?

João nos guia ao encontro de Cristo. O Evangelho nos apresenta João em uma situação nova. Ele agora não está mais no deserto; agora não pode mais falar; agora não tem mais a multidão em torno dele pedindo o batismo de penitência. Agora João está só; está no cárcere. É o momento da prova de fé. É o momento da purificação que o aproxima ainda mais do coração de Deus.

De fato, inspirado por Deus, João havia anunciado a vinda do Messias. O Messias, de fato, veio para o mundo. Porém, não veio exatamente como João o esperava. Por isso João manda os seus discípulos perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” (Mt 11,3). A resposta de Jesus cria um novo espaço para a fé de João: “Os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim” (Mt 11,5-6). João não se escandalizou, mas ergueu a cabeça e acreditou. Quem vive na busca de Deus sempre poderá ter alguma surpresa. Deus nunca será como esperamos que seja. Por este motivo só se encontra Deus na humildade da fé; deixando-se conduzir por ele, por caminhos que nem podemos imaginar. Assim foi para João e assim será para todos. Deus havia dito pelo profeta Isaías: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, os vossos caminhos não são os meus caminhos (55,8). Certamente deve ter sido duro para João Batista constatar a verdade destas palavras.

João imaginava o Messias com um rosto severo, pronto para separar os bons dos maus. Jesus, no entanto, acolhe a todos, faz refeição com os publicanos e pecadores; faz entender que Deus tenta todas as vias para salvar o homem: Deus está pronto a pagar qualquer preço para salvar. Deus nos supera, Deus nos surpreende. Por isso na relação com Deus faz-se necessária sempre a fé.

Entende-se, portanto o sentido da angustiante pergunta de João: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” (Mt 11.3). Nestas palavras esconde-se o drama de quem não consegue entender, mas há também a humildade de quem se deixa gritar para entender.

À pergunta de João, Jesus responde: “Ide contar a João: Os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (Mt 11,4-5). João acredita. Havia dito de Jesus: “Eu não sou digno nem mesmo de desamarrar as correias de suas sandálias”. Foi coerente. Não se escandalizou de Jesus.

João foi o precursor do Senhor. Um homem que caminhou na fé, deixou-se conduzir por Jesus, acolheu a difícil lição da caridade e disse “faça-se” com o seu sangue. Grande lição para nós!

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

 

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