Liturgia Dominical: “Endireitai os vossos caminhos!”

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Segundo Domingo do Advento

“Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Assim inicia Marcos a sua narração para recordar-nos que a Boa Notícia é Cristo. Ele deve ser o centro de tudo, porque só Ele é o motivo do ser cristão.

Estas palavras de Marcos, no início do Advento, nos estimulam a uma avaliação dos motivos do nosso ser cristãos: não o belo canto ou a bela homilia, não o sacerdote ou a gente simpática podem ser motivos para crer. O motivo da fé é Cristo com a sua vida e a notícia do amor infinito de Deus. É por Ele e só por Ele que se pode sacrificar tudo, porque só Cristo pode dar sentido pleno à vida e à morte.

Mas como devemos escutar Cristo? Marcos apresenta João Batista com as palavras do profeta Isaías: “Preparai os caminhos do Senhor, endireitai os seus caminhos”. “Preparar o caminho” por quê? Porque o encontro com Deus exige uma atitude precisa, uma orientação precisa, uma direção de marcha.

Recordemos bem: se dentro de nós não há a consciência humilde da nossa insuficiência diante do problema que somos nós mesmos, nós nunca encontraremos Deus. Só o humilde chega a Deus.

“Endireitai os caminhos”! Para encontrar Deus é necessário mudar tantas estradas; é necessário sair de determinadas situações, mas, sobretudo, é necessário mudar o modo de pensar e de avaliar.

Conversão não significa somente deixar de pecar, mas algo mais: significa mudar por dentro a nossa vida; significa desmontar as idolatrias da vida: sucesso, dinheiro, poder, etc; significa restituir a Deus o primado, o valor que Deus tem.

João Batista, no Evangelho de hoje, nos ensina que converter-se é sair de cena e deixar que Jesus apareça. Assim ele diz: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarras suas sandálias”(Mc 1,7). João não quer ligar as pessoas a si próprio. Ele sabe da sua pequenez diante de Jesus, por isso adverte: “Depois de mim vem outro!” Assim deve se comportar a Igreja, assim devemos nos comportar cada um de nós. Levar as pessoas à Igreja só tem sentido se esta (a Igreja) as conduz a Jesus.

A nossa missão enquanto Igreja é, portanto, proporcionar aos fiéis um lugar de encontro com Deus. É oportuno lembrar as palavras de Madre Teresa: “Nós devemos ser como o vidro. O vidro quanto mais é vidro, menos se ver. Assim devemos ser nós: humildes para deixar que Jesus apareça em nós”.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

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