Liturgia Dominical: “Deus se volta para os simples e humildes”

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Assunção de Nossa Senhora
Deus se volta para os simples e humildes
Maria Assunta ao céu é um convite a olharmos para o futuro. A Igreja, desde suas origens, cultivou esta consoladora notícia na sua memória de fé. O Papa Pio XII, durante o Ano Santo de 1950, na qualidade de intérprete da “tradicio fidei” declarou que esta notícia cultivada na memória do povo de Deus é uma notícia autêntica: essa vem das origens apostólicas, vem do fato veramente acontecido.
A primeira leitura da liturgia de hoje é uma representação dramática da história humana para dizer-nos que a vida não é uma brincadeira, é algo extremamente sério. Como este reclamo é atual. Hoje, de fato, a vida é excessivamente banalizada. Só a fé em Deus poderá restituir valor e dignidade à vida.
“No céu aparece um sinal grandioso: uma mulher que gritava pelas dores do parto…” (Ap 12,1-2). Esta mulher é a imagem de todos aqueles que amam a vida, que sofrem pela vida, que defendem a vida, que crêem na vida porque crêem em Deus. São tantos que se empenham nesta luta, que trabalham para salvar a dignidade humana. Esta é a missão da Igreja e, nesta Igreja, Maria é o vértice, é a primeira a acreditar.
Mas esta mulher é ameaçada: “No céu aparece outro sinal: um grande dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu… O dragão parou diante da mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu filho, logo que nascesse” (Ap 12,3-4). Qual é o êxito desta luta? A fé nos diz que vencerá a vida, vencerá a bondade e a justiça, porque Deus mesmo está empenhado nesta luta.
Um sinal e uma premissa desta vitória se chama Maria de Nazaré. Voltemos o nosso olhar pra ela, porque através de sua vida se ilumina também a nossa vida e a da Igreja. O Evangelho trata da visita de Maria a Isabel. Maria sai da aldeia de Nazaré e vai a uma aldeia da Judéia para servir. Na anunciação, o anjo informara Maria a respeito da gravidez de Isabel, com a garantia de que nada é impossível para Deus (Lc 1,37). Ao declarar-se serva do Senhor, ela concebe Jesus e, como sinal de serviço, dirige-se apressadamente à casa de Zacarias, ao encontro e a serviço de Isabel (vv. 39-40). A cena mostra o encontro de duas mães agraciadas com o dom da fecundidade e da vida. Mostra também o encontro de duas crianças, o Precursor e o Messias, ambos sob o dinamismo do Espírito Santo. João Batista exulta no seio de Isabel que, cheia do Espírito Santo, proclama Maria bem-aventurada. A grande bem-aventurança de Maria é ter acreditado que as coisas ditas pelo Senhor iriam cumprir-se (v. 45).
Duas são as características mais importantes de Maria no relato da visita a Isabel. Estas são exatamente as qualidades do discipulado no Evangelho de Lucas: atenção e adesão absolutas à Palavra de Deus e, como conseqüência disso, serviço incondicional a quem necessita.

Dom Edilson Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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