Liturgia Dominical: “Deus se preocupa com a nossa salvação”

Compartilhe:

Terceiro Domingo da Quaresma

Deus se preocupa com a nossa salvação

A dor é um dado de fato que o ser humano é obrigado a conviver. A inteligência humana sempre se interrogou sobre o porquê da dor, mas não encontrou explicações completamente iluminadas. Alguns se sentiram bloqueados diante da dor e por isso chegaram à conclusão que Deus não existe. O que diz a Bíblia a este respeito?

Em tantos livros da Bíblia emerge o problema da dor, mas o livro mais famoso é o de Jó. Antes de tudo Deus nos chama a atenção pela pretensão de querermos entender tudo. Belíssimas são as perguntas que Deus dirige a Jó e a cada um de nós: “Tu queres entender tudo, mas não é possível. Como podes entender tudo aquilo que faz o Senhor? Reconhece o teu limite. Tu existias quando Deus criou o universo? Tu existias quando Deus criou a vida? E hoje és tu que reges o céu e a terra, o sol e as estrelas?” (cf Jó 38,4ss). São interrogações que convidam à humildade intelectual.

Em segundo lugar a Bíblia destaca que o mundo não é mais como Deus o criou. Desde as primeiras páginas a Bíblia diz com força que no mundo entrou o pecado pela livre escolha do homem e o pecado modificou o mundo criado por Deus. Portanto não devemos atribuir a Deus coisas que, na verdade, vêm do homem. A este ponto nos vem a curiosa pergunta: Mas Deus o que faz diante de um mundo assim maltratado?

Eis a primeira leitura de hoje. Aqui se entra pela fé. Deus faz Moisés conhecer o seu nome e lhe diz: “O meu nome é este: eu estou do vosso lado, eu estou próximo para salvar”. Para melhor entender: Deus pode ser chamado por infinitos modos. “Dizer o nome” é uma imagem para dizer que Deus se faz conhecer a Moisés. Quando Moisés lhe pergunta o seu nome, Deus responde: “Eu sou”. Que significa? É o verbo ser. Significa ser presente, ser ativo, estar próximo para ouvir. Depois Deus usará outras imagens como aquela do esposo, do amigo, do pai. A verdade, porém é idêntica: Deus é infinitamente bom e procura o encontro com o homem dentro das situações de dor que nós criamos.

Porém a nossa inteligência ainda não se satisfaz. É verdade que Deus na sua sabedoria usa a dor como meio de redenção. Porém, por que sofre também o inocente? É justo isto? O Evangelho trata desta questão. Algumas pessoas colocam pra Jesus dois episódios: um fato de violência contra os cidadãos e uma desgraça que provocou muitas mortes. Por que acontecem estas coisas? Responde Jesus: “Não penseis que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros” (Lc 13,2).

Uma desgraça de fato não é sinal de castigo divino, mas é manifestação de uma situação de provisoriedade e de precariedade nas quais todos, indistintamente, vivemos. Quem morre jovem ou violentamente não é um punido por Deus. Muitos santos morreram jovens ou martirizados! Portanto, eis a grande conclusão: Deus, nesta situação de precariedade, se preocupa com a salvação, mais do que qualquer outra coisa.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

Posts Relacionados

ANO
JUBILAR

AMIGOS DO
SEMINÁRIO

ESCOLA
MISSIONÁRIA
DISCÍPULOS DE
EMAÚS - EMIDE

Facebook

Instagram

Últimos Posts