Liturgia Dominical: “Deus se encontra na vida e não nas ideias”

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Quarto Domingo do Advento

Deus se encontra na vida e não nas ideias

As leituras de hoje nos ajudam a desvendar o estilo de Deus e nos dão uma luz sobre o senso do Natal. A primeira leitura é retirada do profeta Miquéias (5,1-4), um profeta que viveu no mesmo período de Isaías. O que vê Miquéias e o que prevê? Ele vê uma Jerusalém aparentemente suntuosa e esplêndida. Mas, por traz do esplendor, Jerusalém é corrupta e decaída no vazio. Isto é o que vê o profeta. É exatamente sobre este espetáculo que ele lança a profecia do desafio e da esperança: “Aquele que deve dominar Israel não nascerá no luxo dos palácios de Jerusalém, mas sim em uma pequenina cidade da Judéia: nascerá em Belém (casa do pão)”. A profecia foi realizada: “Foram a Belém para o recenseamento ordenado por César Augusto e ali se cumpriram os dias para Maria (Lc 2,6)”.

Mas o que surpreende não é isto. O que surpreende é o motivo da escolha que Deus faz. Ele escolhe Belém, porque Belém aparentemente não tem valor, porque Belém não conta. Este critério de escolha é a grande e perene lição do Natal.

O que significa para nós tudo isto? Significa que também não chega a Belém e não encontra Deus quem é pleno de si. Só quem sente a fragilidade da vida e se coloca humildemente na busca, se dará conta que Deus está próximo e experimentará a paz do encontro com Deus através da fé. Estradas diferentes daquelas de Belém, não levam a Deus. Quem tem a humildade de procurar, este chega a Deus.

O Evangelho acrescenta outro pensamento: o encontro com Deus, se é verdadeiro, leva à caridade. De fato, os verdadeiros crentes são também os gigantes da caridade.

Olhemos para Maria. Maria torna-se a habitação viva de Deus entre nós. Como portadora da salvação, põe-se a caminho e, no encontro serviçal e gratuito com Isabel, experimenta alegria da realização das promessas de Deus. Escolhida por Deus para uma missão que podia provocar-lhe vertigens, Maria não hesita: Ela parte! Corre para dividir com Isabel a alegria daquilo que sabe; a alegria daquilo que entendeu; a alegria daquilo que acreditou; a alegria daquilo que recebeu. E o que dizem a Anciã Isabel e a jovem Maria? Isabel percebe de imediato a grandeza de Maria e exclama: “Bem-aventurada aquela que acreditou”.

Sim, ó Maria, tu podias duvidar como Zacarias duvidou! Podias exigir maior garantia e podias pretender mais clareza. Ao invés,   simplesmente acreditaste! Isabel reconhece a grandeza de Maria: a grandeza na fé. E Maria? Maria se sente tão pequena. O que pode dizer? Maria vê a bondade de Deus, Ela sente que uma mão a prendeu e a elevou ao alto; certamente porque ela não pesava de orgulho. “Faça-se em mim segundo a vossa Palavra”. É tudo o que uma mulher confiante podia dizer.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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