Liturgia Dominical: “Deus intervém na história e provoca mudança em nossas vidas”

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XXXIII Domingo do Tempo Comum

Deus intervém na história e provoca mudança em nossas vidas

O homem sempre teve atenção para o futuro pessoal e para o futuro do mundo. Por isso o homem se pergunta: O que acontecerá comigo no futuro? O que acontecerá com o mundo? Ninguém pode fugir destas perguntas. Mesmo hoje, numa civilidade que se define laica, como sinônimo de distante da religião, o problema do futuro não é insignificante. Quanto a nós cristãos, o que pensamos do futuro? Ninguém nos pode dar uma luz senão Aquele que é o Senhor do futuro. É em Cristo que buscamos a luz.

É o discurso do Evangelho de hoje, chamado discurso escatológico. A palavra é estranha, mas o sentido é simplíssimo. Significa discurso sobre as últimas coisas da vida e da história. É um discurso no qual Jesus dá as informações estritamente necessárias para que o futuro seja visto com esperança e ao mesmo tempo com seriedade. Isto não significa dizer que vamos pensar o futuro esquecendo de viver o presente. Na verdade, nada se garante no futuro quando relaxamos e não encaramos com responsabilidade o presente.

Para entendermos o discurso de Jesus faz-se necessário contextualizar a circunstância em que este vem pronunciado. Jesus encontra-se em Jerusalém, diante do templo de Jerusalém, às vésperas da sua morte e ressurreição. Ele está falando para alguns dos seus discípulos que representam os seus demais seguidores. A comunidade é chamada a refletir sobre o rumo da história e a vinda do Filho do Homem. O evangelista Marcos, portanto, utilizando-se de uma linguagem apocalíptica, ajuda a comunidade cristã a compreender a destruição da cidade de Jerusalém e de seu Templo, e a encoraja diante das sucessivas perseguições. O momento é difícil e tenso, pois Jesus precisa convencer os seus seguidores a se manterem fiéis àquele que será crucificado, aparentemente derrotado e humilhado. Para os apóstolos o fim de Jerusalém e, sobretudo o fim do templo não era pensável senão em relação com o fim do mundo. Jesus então fala das duas coisas, apresentando o primeiro como sinal do segundo. Em outras palavras Jesus diz: “Se destruirá o templo porque se tornou lugar de impiedade e assim acabarão todos os prepotentes da história”.

O evangelho fala da parusia, do dia e da hora. A vinda do Filho do Homem ocupa o centro do discurso que vem precedido de sinais significativos: “O sol vai escurecer e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas” (Mc 13,25). Aqui o Senhor nos adverte que Deus intervém na história e provoca em nossas vidas mudanças que são decisivas. O versículo que segue vem como um sinal de esperança: “O Filho do homem virá das nuvens com grande poder com seus anjos e reunirá todos os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra” (Mc 13,26-27). Ou seja: Obstáculos existem, as catástrofes são reais, as tempestades ameaçam, mas no fim, vence todo aquele que confia e se entrega ao Filho do Homem para fazer a diferença na história.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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