Liturgia Dominical: “Deus é capaz somente de amar”

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Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum

Deus é capaz somente de amar

Só Deus nos ensina a amar. As parábolas ensinadas por Jesus hoje causam uma grande reviravolta em nossas vidas, pois, de certo modo elas vêm para combater o absurdo egoísmo que está arraigado dentro de cada um de nós. Por que Jesus contou estas parábolas? Disse o evangelista Lucas: “Os publicanos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da lei criticavam Jesus: este homem acolhe pecadores e faz refeição com eles” (Lc 15,1-2). Jesus então conta as parábolas para responder àqueles que se escandalizaram com Jesus.

A primeira parábola apresenta Deus como um pastor que procura a ovelha que saiu do rebanho, a ovelha que voluntariamente fugiu do redil. É uma imagem extraordinária. Deus se apresenta como um pastor que procura. A nós parece quase humilhante… no entanto Deus é assim.

Mas tem mais. A segunda parábola apresenta Deus na imagem de uma mulher desesperada por ter perdido o tesouro, que escondia em casa. Jesus disse claramente que o homem é o tesouro de Deus; que Deus fará sempre de tudo para encontrar a moeda perdida, ou seja, o homem. Quanta paz nos vem destas parábolas!

A terceira parábola é o vértice do Evangelho. Jesus abre o seu coração e parece nos dizer: “Quereis finalmente entender? Quereis crer que Deus é Amor, é Paciência, é Bondade, é Misericórdia sem fim?”. E inicia a parábola: Um pai tinha dois filhos. Um decide ir embora de casa. Quer antecipadamente a parte do patrimônio que seria a sua herança. E o pai não se contrapõe à liberdade do filho, não o contrasta, porque o amor não se pode impor, mas somente propor. E o filho se vai. Este filho é o homem. O homem é capaz de fugir de Deus. E aquele pai é Deus. Deus não pode constranger o homem, mesmo amando-o como um pai ama seu filho. E o filho vai divertir-se, vai gastar sem critérios o que foi adquirido às custas do suor do pai. Mas tudo acaba. O filho perde os amigos, perde inclusive a arrogância, prova a fome. O filho prova a humilhação e o desprezo: vai cuidar de porcos, o que na mentalidade hebréia era a mais humilhante condição humana. Mas eis a novidade: aquele filho começa a cair na real e tenta fazer o caminho de volta para casa. Aqui acontece o inacreditável. Acontece algo que não conseguimos entender. O pai está esperando o filho. Mas como? E o pecado? E a ofensa? Tudo é esquecido! Deus faz a festa, Deus é assim! Nós não conseguimos entendê-lo. Compreendemos Deus somente quando começamos a viver a sua bondade.

E o outro filho? É o exemplo daqueles que querem a bondade de Deus só pra si. O egoísmo ultrapassa qualquer ato de misericórdia e, portanto, este não é menos culpado que o primeiro. Também este precisa passar pela experiência da conversão.

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

 

 

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