Liturgia Dominical: ” Deus ama: Deixar-se amar depende de nós”

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Quarto Domingo da Quaresma
Deus ama: Deixar-se amar depende de nós

A primeira leitura de hoje (2Cr 36,14-16.19-23) é uma meditação sobre a
história de Israel. O autor tem diante de si a ruína de um povo, o fim de uma época, a
destruição da cidade santa, a deportação e o exílio. Uma verdadeira catástrofe! Por que
acontece tudo isto? Comumente nós somos levados a descarregar sobre Deus a culpa de
todos os eventos ou sobre qualquer fatalidade ou destino. É cômodo tudo isto porque
nos dispensa de toda responsabilidade.

Mas a Bíblia, meditando a história de Israel, faz uma descoberta incômoda e tem
a coragem de afirmar: a destuição de Israel depende do seu pecado. É esta a mensagem
da primeira leitura, que se traduz em tantíssimas provocações também para nós hoje.

Podemos nos distanciar de Deus, mas saibamos que cada distanciamento de
Deus implica em um falimento na vida. Se o mundo vai mal, não digamos que o mal foi
colocado sobre nossas costas, mas que nós permitimos que o mal pudesse avançar sobre
o mundo. Se as guerras e as violências se difundem não digamos que dependem da
natureza, mas sim do ódio quotidiano familiar e pessoal, do qual todos somos
responsáveis. A paz, de fato, inicia na casa e, portanto, também a guerra inicia na casa.

Com isto não estamos afirmando que Deus seja indiferente à nossa realidade e à
nossa vida. Não! Responde a nossa fé! É a fé que nos faz Igreja e nos distingue das
demais pessoas que não têm fé. Nós temos uma história fascinante para narrar; nós
temos uma notícia que há séculos conforta os mártires, consola os doentes, faz brilhar
os olhos dos moribundos, traz a paz ao coração dos que crêem.

É a notícia que Cristo é Filho de Deus e veio participar da nossa “louca” história
para salvar-nos. O Evangelho de hoje apresenta Cristo diante de Nicodemos. Nicodemos é um homem que sente o problema da vida e sente o fascínio por Cristo, mas não quer ser descoberto: ele procura Cristo discretamente, como faz tanta gente ainda hoje. Nicodemos é o homem que se dá conta de ser um homem e não “Deus”: é o
homem que procura, mesmo que tenha medo que se tornem públicas suas ânsias.

E Cristo responde a Nicodemos com a paciência divina, e na noite do medo, lhe
revela o seu mistério: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para
que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna”! (Jo 3,16). É uma notícia
que revira tudo e reveste de luz o mistério de Deus.

Acrescenta Jesus: “Deus não enviou o seu Filho para julgar o mundo, mas para
que o mundo seja salvo por meio dele” (Jo 3,17). Isto é uma consequência da bondade
de Deus. Deus não condena ninguém, Deus não se cansa de ninguém. Portanto, é o ser
humano que se condena, é o ser humano que foge do amor de Deus e busca a escuridão,
é o ser humano que peca ao voltar as costas para Deus. Por isso, Jesus afirma: “O
julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz,
porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz,
para que suas ações não sejam denunciadas” (Jo 3,19-20). Então, que escolhas estamos
fazendo em nossas vidas? Estamos optando pela luz ou pelas trevas?

Dom Edilson Soares Nobre – Bispo Diocesano de Oeiras

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