Liturgia Dominical: “Cristo: o verdadeiro pastor de todos”

Compartilhe:

Quarto Domingo da Páscoa

Cristo: o verdadeiro pastor de todos

O pastor é uma das imagens que Jesus atribui a si próprio para falar do seu modo de relacionar-se com os seus seguidores. Na Palestina esta linguagem era comum a todos porque cuidar de ovelhas era uma realidade típica daquele povo. Sempre no fim da tarde, os pastores retornando dos vários pastos, acompanhavam as próprias ovelhas até o ovil, e, durante a noite, vigiavam para defendê-las dos lobos e dos ladrões. Pela manhã cada pastor entrava no seu recinto e chamava as próprias ovelhas e estas seguiam o seu pastor, porque conheciam o timbre da sua voz. É com base nesta realidade que Jesus exclama: “As ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10,27).

Notemos que Jesus toma o pastor como imagem da sua missão. No entanto, os pastores eram considerados uma categoria desclassificada. Mas diante de Deus não existe categorias desclassificadas. Todos são amados por Deus.

“Eu sou o bom pastor” – Portanto existem também pastores maus. Existem os mercenários, os vendedores de mentiras, de violência e de imoralidade. Jesus nos faz entender isto claramente.

Jesus vai dizer: “Eu sou o bom pastor e dou a vida por minhas ovelhas”. O bom pastor é aquele que dá a vida. Reconhece a sua voz aquele que vencendo as barreiras do egoísmo, se converte e dá a vida. Quem pensa somente em si obstinadamente não poderá nunca reconhecer Deus, porque Deus é altruísmo infinito. Quem se preocupa só em acumular não poderá nunca reconhecer Deus, porque Deus é Aquele que doa tudo. Há, portanto, uma incompatibilidade entre Deus e o egoísta, entre Deus e o avarento, entre Deus e o orgulhoso.

Como é possível conhecer a voz do Senhor? Qual é o timbre da voz de Cristo? Quem é entre nós que segue o Senhor, que caminha atrás dele? Evidentemente o problema das vocações está ligado às atitudes e comportamentos de uma comunidade cristã. Em um mundo de egoístas o Pastor pode chamar quantos queira: o egoísta não escuta. Uma sociedade que reduziu a vida a “um tempo para gozar” torna-se automaticamente alérgica a Deus, pelo qual a vida é “tempo pra doar”. No entanto, é bom lembrar que somente quem adere à proposta do Bom Pastor, somente quem segue os seus caminhos, somente quem acolhe na humildade os seus ensinamentos, poderá de fato encontrar a alegria sem fim. Estes com mais facilidade saberão ter um discernimento nas escolhas entre o bem e o mal, e assim, poderão fazer a diferença na construção de um mundo novo, onde o “ser” torna-se um valor essencial e o “ter” passa a ser secundário.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

Posts Relacionados

ANO
JUBILAR

AMIGOS DO
SEMINÁRIO

ESCOLA
MISSIONÁRIA
DISCÍPULOS DE
EMAÚS - EMIDE

Facebook

Instagram

Últimos Posts

QUEM SE CALA…

Todos nós temos responsabilidade no bem ou no mal do mundo.  Ninguém pode se considerar isento desta responsabilidade ou inocente em todas as situações. Com