Quinto Domingo da Quaresma
Aquele que crê em mim, ainda que tenha morrido viverá!
Existe hoje uma opinião difusa segundo a qual não existe nada além da morte. Não há prova alguma para esta afirmação, mas ela rejeita os tantos indícios que asseguram a existência do além. E tem mais! Quem nega o “além-morte”, sem dificuldade também pode negar o sentido da vida. Não será este, talvez, um dos motivos porque alguns jovens (e também adultos) buscam o suicídio? Infelizmente, em nossa sociedade encontramos tantos sinais de tendências suicidas. Evidentemente, não podemos ser reducionistas. O suicídio é um fenômeno multicausal e complexo, o que significa que as causas são, de fato, as mais variáveis possíveis e resultam de uma interação de fatores psicológicos, biológicos, sociais e ambientais.
Sigamos a narração do Evangelho deste domingo (Jo 11,1-45) e procuremos em Cristo o sentido, o “por que” da nossa existência. Jesus é advertido da doença de Lázaro e, portanto conhece o perigo que o amigo está correndo. Mas não se move imediatamente, ao invés, se mantém distante. Evidente, o sentido que Ele dá aos acontecimentos é fruto de uma sabedoria infinita, de uma onipotência e de uma misericórdia sem limite.
Como podemos entendê-lo? Só à luz da fé! Impressiona-nos o fato: Lázaro morre! Quantas vezes o justo morre, quantas vezes o inocente sofre, o humilde é desprezado, o honesto é perseguido? São infinitas vezes! Na verdade, todos morrem: justos e injustos. E não há critérios de escolha. São as circunstâncias da vida que definem o nosso tempo.
Nós, igualmente como Marta, a irmã de Lázaro, gritamos diante do Senhor: “Se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!” (Jo 11,21). Cristo veio para libertar a nossa dor e para iluminar a estrada da vida, que vai além da morte. Escutemos a resposta de Jesus. Ele se volta para Marta e diz: “O teu irmão ressuscitará” (Jo 11,23). Que significam estas palavras? Anunciam a certeza de um futuro, a promessa de uma vida nova, o empenho de Deus nos confrontos da alegria humana. Marta sabia disso e acreditava. Mas ainda faltava algo: a sua esperança não era ainda completa.
Jesus, de fato, acrescenta: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá” (Jo 11,25-26). Estas palavras são o centro de toda a história e a justificação do próprio milagre. Jesus recorda a Marta: “Deus é a vida e, portanto, só Deus pode salvar a vida do homem. Quem crê em Deus, tem já em si toda a força da vida de Deus. Quem crê em Deus não morre jamais”.
O crente experimenta a morte no seu corpo, mas esta é a “irmã morte”, e esta morte não faz medo, porque essa é somente uma passagem que introduz ao abraço definitivo com o Deus da vida. Porém, se alguém não tem Deus consigo porque o rejeitou, este, ainda se vivo, já é morto. Quem não acolheu Deus, mesmo que seja pleno de saúde, já é morto em realidade: dentro dele tem um túmulo.
Este é o sentido da palavra de Jesus. O milagre da ressurreição de Lázaro é só uma garantia que Jesus oferece, para que a Sua Palavra seja mais facilmente “acreditada” por aqueles que têm pouca fé. “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste” (Jo 11,41-42). E foi o que aconteceu: “Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele” (Jo 11,45).
Dom Edilson soares Nobre
Bispo Diocesano de Oeiras










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