Liturgia Dominical: “Apascenta as minhas ovelhas”

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Terceiro Domingo da Páscoa

Apascenta as minhas ovelhas

Depois da paixão e depois das primeiras aparições do Ressuscitado, os apóstolos tornam à Galileia e retomam o trabalho de pescadores. Porém não poderiam esquecer aquilo que aconteceu. Os lugares da Galileia falam de Jesus e a mesma via dos apóstolos é marcada pela Sua passagem. Parece ainda sentirem ao longo das margens do lago a voz inconfundível do Mestre: “Segue-me, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4,19). Diante dos seus olhos deve estar bem vivo o espetáculo daquelas multidões que se comprimiam em torno do Profeta de Nazaré para buscar conforto, luz e cura. Sobretudo recordam um fato inesquecível: se revêem no lago em tempestade quando despertaram Jesus e gritaram: “Senhor, salva-nos!” (Mt 8,25). E Jesus ordenou que vento e o mar se acalmassem e imediatamente tudo se tranqüilizou. Naquela ocasião eles se perguntaram: “quem é aquele ao qual o vento e o mar lhe obedecem? (Mt 8,27). Agora sabem quem é. Sabem que Jesus é o Filho de Deus; sabem que atravessou a morte e ressuscitou. O esperam e a espera os une. “Simão Pedro disse a eles: Eu vou pescar. Eles disseram: “Também vamos contigo” (Jo 21,3). Esta unidade do coração é o espaço no qual Jesus se manifesta.

Depois de uma noite de inútil fadiga, ele se aproxima do pequeno grupo de pescadores reaquece os seus corações e os faz sair daquela situação de desilusão. A sua palavra acolhida na humildade da fé enche a rede de peixes e o coração de espanto. João consegue ler o sinal e exclama: “É o Senhor!” (Jo 21,7). Qual é a mensagem que se esconde por trás deste milagre? Jesus, antes de lançar os apóstolos na grande aventura do apostolado, os recorda que a “pesca dos homens” é possível somente obedecendo à Palavra.

João, perscrutando em profundidade o episódio da pesca milagrosa destaca um particular: “A rede estava cheia de 153 grandes peixes” (Jo 21,11). O número 153, no mundo grego-romano correspondia ao total de todas as espécies de peixes existentes. Neste modo João nos recorda que a Igreja é chamada a reunir todos os povos na fé, usando somente a força da humildade e da obediência à palavra do Ressuscitado.

Depois da pesca os apóstolos se juntam em torno de Jesus. É um momento encantador, um momento de paraíso, porque não existe alegria maior do que aquela da experiência de Deus, sentindo-o pertinho de nós.

E Pedro? Chegou a vez de corrigir a sua falha por ter negado o Senhor três vezes. “Tu me amas mais do que estes? Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21,15). Apesar dos limites humanos de Pedro, Jesus não duvida da sua capacidade e da sua potencialidade e, portanto, o confirma no primado da Igreja. Assim, ele e todos os seus sucessores tornam-se os servos dos servos de Deus, escolhidos para conduzir o rebanho do Senhor.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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