Liturgia Dominical: “A tempestade é passageira”

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XII Domingo do Tempo Comum

A tempestade é passageira

A tempestade sobre o lago na narração de Marcos é quase uma parábola. O evangelista de fato narra uma situação que se evidencia na vida dos cristãos de todos os tempos. É uma graça de Deus poder meditar esta página do Evangelho. Jesus diz aos apóstolos: “Vamos para a outra margem” (Mc 4,35). Chama-nos a atenção antes de tudo este contínuo movimento de Cristo. Ele não para! Jesus não tem tempo para gozar de sucessos ou posições de prestígio. Ele não tem tempo a perder porque há uma ânsia em seu coração: Ele veio para reunir os homens dispersos. E nos deu uma tarefa precisa: “Ide, pregai a Boa Notícia” (Mc 16,15).

O mundo que nos circunda é um mundo que apagou tantas luzes de dignidade e de respeito pela vida. E nós nos sentimos missionários? Sentimo-nos enviados por Jesus? Os pais cristãos se sentem evangelizadores de seus filhos? Diante das famílias enfraquecidas na fé, materialistas no projeto de vida, sem referências morais no comportamento, nós cristãos somos chamados a nos empenhar a sermos famílias que se nutrem da fé, da Palavra de Deus e da caridade vivida.

Diz o Evangelho que enquanto Jesus e os apóstolos atravessaram o lago, surgiu improvisamente a tempestade. Os apóstolos se viram ameaçados pelas ondas. O que fazer? Jesus está com eles. A sua presença devia ser motivo de serenidade, argumento de confiança. Mas Jesus dormia. Como sempre acontece na vida de cada dia, Deus às vezes parece estar ausente, parece estar distante, parece estar indiferente. Apenas parece! Os apóstolos a certo ponto descobriram que estavam no sufoco e gritaram: “Mestre, não te importa que morramos?” (Mc 4,38). Jesus responde com um gesto que convida à fé. Ele ordena ao vento e ao mar. E o lago volta a ficar calmo e sereno. Jesus com este gesto parece querer dizer aos apóstolos: “Não sejam assim fracos de pensar que Deus possa perder o controle da situação”. Deus é e será sempre o Senhor da história.

Imediatamente depois Jesus acrescenta: “Por que sois assim medrosos? Não tendes ainda fé?” (Mc 4,40). Jesus claramente faz a ligação entre medo e falta de fé em Deus. Quem crer em si mesmo, cedo ou tarde terá medo. Porém, quem crer em Deus, possui uma paz que nada e ninguém nunca a poderá tolher. Isto evidentemente não significa que o crente tenha vida fácil e sem provas. Nada disso! Provas existem para todos. Mas na prova se vê quem crer em Deus; e na prova se vê também quem se ilude de crer em Deus. Os anos da vida são tempo de prova para todos. Portanto bendigamos ao Senhor nas provas da vida e não tenhamos medo de enfrentá-las, pois é através delas que amadurecemos, evoluímos e nos purificamos.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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