Liturgia Dominical: “A pedra rejeitada torna-se a pedra angular!”

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XXVII Domingo do Tempo Comum

A primeira leitura de hoje é um desabafo do profeta Isaías, o qual, falando em nome de Deus, exprime desilusão e amargura pelo comportamento de Israel. O profeta, através da inspiração, deixa sair do seu coração algumas indagações:  “Que mais podia eu fazer pela minha vinha que não o tenha feito? Por que, quando eu esperava uma boa colheita de uvas, ela não deu senão uvas azedas?” (Is 5,4). Deixemo-nos interrogar por este grito de amor desiludido. É Deus! É Deus mesmo que fixa o seu olhar sobre os nossos olhos e nos pede uma razão para tanta ingratidão. O homem, de fato, pode se desviar do projeto de Deus e, assim, expor a vinha (que é a própria vida e a “casa comum”) à devastação.

No entanto, o amor de Deus é incansável. No Evangelho de Mateus (21,33-43) Jesus retoma a imagem da vinha utilizada por Isaías. Esta imagem lhe serve para traduzir esplendidamente o afeto, a ternura e a misericórdia de Deus para com a humanidade.

Ele diz: “certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, cavou nela um lagar para pisar as uvas e construiu uma torre de guarda. Ele a alugou a uns agricultores e viajou para o estrangeiro” (21,33). Jesus descreve toda esta atenção do patrão para com a vinha para dizer que o que Deus fez por Israel foi sem economia de afeto e sem intervalos de amor. Deus, verdadeiramente deu tudo: escolhendo Israel, Deus investiu um imenso patrimônio de bondade. E a resposta de Israel? Infelizmente, no momento da colheita, Israel rejeitou de dar o fruto do amor. Não só! Matou os profetas porque incomodavam e contestavam a vida infiel do povo de Deus. Aconteceu de fato o absurdo, o impensável! O lamento de Deus, porém, questiona a cada um de nós hoje. Procuremos interrogar-nos: Deus está contente conosco? Hoje a nossa vida exprime um “Sim” a Deus ou deixa transparecer indiferença e mediocridade? Nós cristãos de hoje somos um anúncio, uma notícia em favor de Deus ou somos uma caricatura dele e uma mortificação do Evangelho? O Evangelho nos recorda esta tremenda possibilidade e, ao mesmo tempo, nos adverte que, desiludindo Deus, a vinha é devastada. O homem fechando-se para Deus, envenena a própria vida de tristeza e de insignificância.

Deus ama até o extremo. Jesus, continuando a narração, exclama: “Que outra coisa poderá fazer o Pai? Resta-lhe somente enviar o seu Filho sobre a terra!” E assim fez. Mas os operários da vinha mataram o Filho de Deus, de tal modo que se torna vítima da maldade humana! Acontece o que parece impossível. Humanamente falando não existia mais saída. O Pai havia jogado a última carta enviando o seu próprio Filho e nós havíamos perdido a última chance. Mas eis a revolução da situação: Deus não se cansa! Deus transforma a Cruz em uma oferta de amor e a ferida do seu coração torna-se uma porta de misericórdia sempre pronta a acolher-nos e a perdoar-nos. Bendito seja o Senhor! Bendita seja a sua infinita misericórdia! Bendita seja a fantasia inexaurível do Seu Amor porque “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Mt 21,42).

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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