Liturgia Dominical: “A paz vem do alto”

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Sexto Domingo da Páscoa

A paz vem do alto

Cristo trouxe ao mundo uma novidade que permanece nova com o passar dos séculos, porque o que vem de Deus não envelhece. Quem tem o dom de crer entende esta novidade e está sempre disposto a dar a vida para permanecer fiel a Cristo. Faz bem recordar a célebre exclamação de Santo Agostinho: “Muito tarde te conheci, Senhor! O que eu fazia para viver tão longe de ti?”.

Por que nem todos acolhem a novidade de Cristo? Porque Deus não impõe. Deus propõe. Deus respeita a liberdade humana. Deus nunca vai querer sobrepor-se sobre a liberdade humana, um dom que Ele mesmo deu. A primeira leitura de hoje é um exemplo. É a Igreja primitiva, a primeira paróquia, logo depois da Ressurreição… No entanto, nasce imediatamente uma grave dificuldade. E Deus espera que esta (a Igreja) resolva o problema dentro do tempo e da história. A fé deve ser provada. Alguns queriam conservar todos os costumes judaicos, como era o caso da circuncisão, mesmo depois da conversão ao cristianismo. Naquele contexto foi uma prova fortíssima. Os apóstolos, coordenados por Pedro tomam uma decisão: “Não, Cristo é a novidade! Ele é a esperança, Ele é o caminho, o único caminho que salva o homem”. Uma decisão corajosa, que rompia notadamente com uma época e dava início a uma fé que levou muitos ao martírio. Também hoje, na religião há o risco de apegar-se às coisas superficiais, exteriores, esquecendo o essencial.

A nossa presença na Missa, por exemplo, é importante, mas mais importante ainda é a conversão à vida. De fato devemos participar da Missa para mudarmos, para melhorarmos e para crescermos no Batismo. A confissão pode ser outro exemplo. É um público reconhecimento da solidariedade que nos liga uns aos outros. É através da comunidade que Deus aceita o meu arrependimento e é através da comunidade que Deus doa o seu perdão. Mas o que é importante na confissão? Certamente é importante a acusação das culpas, mas mais importante ainda é o arrependimento do coração. Tomemos ainda a comunhão como exemplo. Pensemos o quanto é importante a comunhão, mas mais importante que a comunhão é a caridade. Na verdade a comunhão deve proporcionar o nosso crescimento na caridade. No entanto, quantos pensam de ter feito uma boa comunhão sem ter sentido a ânsia de crescer na caridade.

Porém, se por um lado sentimos o peso da nossa fragilidade, por outro Cristo nos conforta com a certeza de sua presença. “Não vos deixo órfãos”… “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, irá ensinar-vos todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14,26). Quais os sinais da presença do Espírito Santo? A paz é um dos grandes sinais. Esta paz sobre a qual se refere Jesus é completamente diferente da paz do mundo. Esta resiste à dor, às provas, às humilhações e às provações de todos os gêneros.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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